O Banco Central decretou hoje (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o fundador da gestora, João Carlos Mansur, no âmbito da Operação Compliance Zero.
No mesmo dia das buscas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na sede da autoridade monetária, em Brasília. As instituições não detalharam a pauta do encontro. Em publicação nas redes sociais, a PF informou que a reunião reforçou a cooperação e a integração entre os órgãos.
Em nota oficial, o Banco Central justificou a liquidação ao apontar “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”. O órgão informou ainda que seguirá adotando medidas para apurar responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e comunicação a outras autoridades. Conforme a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis durante o processo.
A decisão atinge a Reag Trust DTVM, responsável pela administração fiduciária e gestão de fundos do grupo Reag Investimentos. Os fundos vinculados à empresa continuam existindo, mas deverão ser transferidos para outras instituições habilitadas.
Elo com o caso Master
O Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União que fundos administrados pela Reag estruturaram operações irregulares com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024. Segundo o relatório, houve descumprimento de normas do sistema financeiro, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.
A Reag também entrou no radar da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos e outras irregularidades envolvendo o Banco Master. Nesta segunda fase da operação, a PF cumpriu mandados contra Mansur, além de ações em endereços ligados ao controlador do Master e a outros investigados.
Operação Carbono Oculto
Antes disso, a Reag já havia sido citada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído ao Primeiro Comando da Capital. Segundo o Ministério Público de São Paulo, fundos administrados pela gestora teriam sido usados para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita.
Na ocasião, Mansur foi alvo de buscas em seu escritório, na Avenida Faria Lima, e em sua residência. A investigação apontou prejuízos bilionários em sonegação de tributos e movimentações financeiras incompatíveis com atividades regulares.

Histórico da Reag
Fundada por Mansur, a Reag Investimentos chegou a figurar entre as maiores gestoras independentes do país, com centenas de fundos sob administração e atuação relevante no mercado financeiro. Mansur deixou o comando da empresa em 2025, após vender o controle a executivos internos.
Procurada, a Reag não se manifestou sobre a liquidação até o fechamento deste texto. Em comunicados anteriores, a holding afirmou atuar em conformidade com a legislação e disse colaborar com as autoridades.
