BC alerta que endividamento das famílias segue aumentando
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

BC alerta que endividamento das famílias segue aumentando

Autarquia alerta também sobre o avanço das modalidades de crédito com custos mais elevados

Edifício do Banco Central. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC) alertou que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias brasileiras seguem em patamares historicamente elevados. O diagnóstico consta em ata divulgada ontem (03).

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Segundo o BC, o avanço das modalidades de crédito mais caras tem aumentado a pressão sobre o orçamento doméstico e tende a agravar o cenário nos próximos meses.

“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda”, alertou o comitê, acrescentando que continuará aprofundando o debate sobre o tema.

Em março, dado mais recente disponível, o endividamento das famílias com o sistema financeiro atingiu 49,8%, próximo do maior nível da série histórica iniciada em 2005. Em fevereiro, o indicador havia alcançado 49,9%.

Sem considerar os financiamentos imobiliários, o endividamento permaneceu em 31,4%, mesmo patamar registrado no mês anterior. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 29,3%. Excluindo o crédito imobiliário, o percentual foi de 27%.

No documento, o Banco Central afirma que o ambiente de juros elevados exige maior cautela na concessão de crédito. A taxa Selic está atualmente em 14,5% ao ano.

“O lado das famílias, o crescimento do crédito arrefeceu nas modalidades de maior risco, mas segue superior ao da carteira de menor risco”, afirmou o órgão.

O comitê também apontou que as empresas começam a sentir os efeitos do aperto monetário, embora a maior parte delas ainda demonstre resiliência.

Desde março, segundo o BC, o crédito bancário desacelerou em razão do nível elevado dos juros. Ao mesmo tempo, o mercado de capitais voltou a ganhar espaço como fonte de financiamento para empresas, com crescimento superior ao observado no sistema bancário.

“O aumento da relevância do mercado de capitais como fonte de financiamento para empresas ocorreu apesar das aberturas de spreads de debêntures incentivadas e dos resgates líquidos em fundos de crédito privado”, explicou o BC.

O relatório também aponta desaceleração da oferta de crédito para micro, pequenas e médias empresas, movimento sustentado por programas de incentivo. Entre as grandes companhias, porém, houve reaceleração do crédito.

“A materialização de risco permaneceu elevada e em ascensão para todos os portes de empresas”, destacou o comitê.

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