Bastidores: A química entre Joesley e Trump
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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A química entre Trump e Joesley

Joesley Batista na abertura de capital da JBS nos EUA

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Por Claudio Dantas

No início de setembro, Joesley Batista foi recebido por Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Durante a audiência, que durou mais de meia hora, o empresário falou da operação do grupo em solo americano, da recente abertura de capital na Bolsa de Nova York e dos investimentos previstos para os próximos anos, com a ampliação de suas fábricas e abertura de novos postos de trabalho.

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A promessa de mais investimentos e mais empregos soou como música aos ouvidos de Trump e a conversa evoluiu naturalmente para os efeitos do tarifaço. Joesley explicou ao presidente dos Estados Unidos que as barreiras à carne brasileira tendem a prejudicar essencialmente os consumidores americanos, obrigados a comprar um produto nacional mais caro. Trump ouviu com atenção.

A conversa não enveredou para a política brasileira e nem poderia, mas reforçou a queixa generalizada de importadores e consumidores locais — eleitores. Parte dessas queixas, levadas à Casa Branca por poderosos escritórios de lobby e câmaras setoriais, fizeram o governo dos EUA excluir do tarifaço de julho cerca de 700 produtos; entre eles, petróleo e gás, suco de laranja, celulose, além de metais preciosos e até fertilizantes.

O grupo J&F está presente nos EUA desde a compra da Swift pela Friboi em 2007. De lá para cá, consolidou-se como o terceiro maior produtor de proteína animal daquele país, atrás de gigantes como Tyson Foods e Cargill. Hoje, a JBS EUA emprega mais de 75 mil pessoas e prevê expandir suas fábricas com um novo investimento de quase US$ 1 bilhão; fora o que virá com a diversificação para outros setores, já em curso no Brasil.

Não é difícil imaginar a ‘química real’ de uma conversa entre Trump e Joesley, essencialmente dois homens de negócios. Se essa ‘química’ vai influenciar os próximos passos na relação diplomática, só o tempo dirá. Em sua fala na ONU, o presidente dos EUA fez um gesto a Lula para abertura de diálogo, mas também uma ameaça pelo alinhamento ideológico do brasileiro ao eixo autocrático global.

Ele disse que o Brasil fracassará sem os Estados Unidos e sabemos que isso acontecerá. Joesley também sabe.

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