A presença de grandes nomes da música brasileira, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan, nos protestos de esquerda em Copacabana neste domingo (2), contrasta com a ausência de artistas conservadores em manifestações de direita. Segundo a gestora cultural Flávia Faria Lima, convidada do programa Alive do canal Claudio Dantas, a falta de apoio de artistas de direita, como Gusttavo Lima e Zezé de Camargo, em atos conservadores se dá pelo medo de perder patrocínio.
De acordo com Flávia, as grandes empresas que patrocinam a cultura no Brasil têm um alinhamento político de esquerda, o que tornaria os artistas de direita “reféns” desse sistema.
Ela afirma que, apesar de existirem eventos como o Festival de Barretos, patrocinados por setores como o agronegócio, os artistas com pautas conservadoras preferem não se expor politicamente em outros contextos por medo de perder o apoio financeiro.
A gestora cultural critica a direita por não enxergar a cultura como um investimento. Para ela, a direita precisa se conscientizar de que é necessário “jogar o jogo da esquerda no campo dela” e patrocinar projetos que considerem valiosos.
Segundo Flávia, a falta de engajamento da direita no setor cultural é um dos maiores fatores para a ausência de profissionais e artistas conservadores em manifestações.
Ela destaca que há uma “enxurrada de recursos” sendo direcionados para projetos com “características claras de ideologias” de esquerda, e que a direita precisa ocupar esses espaços para que os artistas de seu espectro político se sintam confiantes em se manifestar publicamente.
A analista concluiu que a polarização política atual, com o “ódio sendo alimentado entre ‘nós’ e ‘eles'”, faz com que artistas de direita tenham ainda mais receio de se expor, principalmente pela falta de patrocínio e apoio de seu próprio campo político.
