O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), defendeu a legalização da cocaína em discurso ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a inauguração de um novo centro de segurança para a Amazônia. “Se amanhã a cocaína fosse legalizada no mundo, não haveria máfia. E não haveria destruição da selva amazônica. Esse é um tema de discussão, a América Latina deveria discutir sem vergonha”, declarou.
Ele afirmou que a região não deve abaixar a cabeça para uma política “fracassada” vinda dos Estados Unidos. “Lá há pessoas morrendo de fentanil e antes morriam menos quando era cocaína e menos ainda quando era maconha”, disse.
Em fevereiro, Petro já havia dito que a cocaína é ilegal por ser produzida na América Latina e não porque “é pior que uísque”. Segundo o líder colombiano, essa é uma análise de cientistas. Ele também defende a legalização da droga para combater o narcotráfico.
Crítica à política dos EUA e à “guerra às drogas”
Essa não é a primeira vez que o presidente colombiano critica a política global de combate às drogas e defende mudanças na abordagem sobre a cocaína. No discurso de Petro na Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano, ele questionou a lógica da guerra às drogas. Afirmou que a cocaína causa um número relativamente baixo de mortes por overdose, especialmente quando comparada aos impactos ambientais e de saúde pública causados pelo carvão e pelo petróleo.
“Os poderes decidiram que cocaína é veneno e deve ser perseguida, mesmo causando um baixo número de overdoses, muitas por resultado de misturas com outras substâncias. Entretanto, carvão e petróleo devem ser protegidos, mesmo que seus usos levem a humanidade à extinção”, afirmou à época.
