A comentarista Carol Sponza, do programa Alive, do canal Cláudio Dantas, avaliou o discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU como uma fala desconectada da realidade e que reforça “obsessões” do presidente. Para ela, Lula escolheu seus “inimigos favoritos” — big techs, super-ricos e os Estados Unidos — em um momento em que os organismos internacionais estão cada vez mais enfraquecidos.
Em seu discurso, Lula usou a tribuna da ONU para defender que “democracia e soberania são inegociáveis”, criticar o que chamou de “ataques sem precedentes” contra as instituições brasileiras, e afirmar que o Brasil “resistiu” e seguirá uma “nação independente e sem tutela”.
As declarações vieram após o governo Donald Trump aplicar sanções contra a esposa de Alexandre de Moraes, ministro do STF, e membros do governo, em retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sponza criticou o pedido de Lula para uma reformulação do Conselho de Segurança da ONU, que hoje é formado por cinco países com poder de veto: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Para a comentarista, a busca por um assento permanente para o Brasil no conselho é um “delírio” que remonta ao primeiro governo Lula e que só serve para “atrapalhar a política externa do Brasil”.
Segundo a analista, a obsessão de Lula por ser um líder do Sul Global não vai acontecer, e os países com poder de veto nunca irão ceder seu lugar — Sem citar nominalmente, o petista criticou os EUA pelo veto ao cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Ela também afirmou que o discurso do presidente mostra que ele não entendeu o “recado” das sanções de Trump e que, em vez de sentar para negociar o tarifaço, ele “segue jogando e sendo hipócrita”.
Sponza concluiu que a agenda de reforma da ONU é uma “balela que, obviamente, nunca vai sair do papel”, e que a fala de Lula apenas mostrou que ele não está conectado com o atual cenário político global, no qual essas agências, em sua visão, estão “cada vez mais esvaziadas” e “capturadas por interesses” que não representam os países que as financiam.
