No programa ALive desta segunda-feira (02), o analista financeiro Hugo Queiroz comentou sobre o pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor. Para ele, o caso do grupo é mais uma “operação fraudulenta” acontecendo no mercado financeiro e de capitais.
Segundo Queiroz, a empresa, que tentou adquirir o Banco Master no ano passado, adota o mesmo “modus operandi” do banco controlado por Daniel Vorcaro e da Reag Investimentos: “Se valendo de operações e oportunidades para originar esse crédito ou essa operação barra estrutura e, dentro de casa, você fazer a distribuição”.
No pedido de recuperação judicial apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o Fictor, controlado por Rafael Góis, atribui a crise à repercussão negativa na imprensa após a tentativa de aquisição do Banco Master, que acabou liquidado pelo Banco Central (BC).
A empresa afirma que, após a divulgação do caso, houve rescisão de contratos e pedidos massivos de retirada de recursos do grupo.
Queiroz comparou a estrutura do Grupo Fictor à da Reag: “Você compra empresas, investe nessas empresas, essas empresas originam estruturas de crédito e você distribui dentro de casa para dinheiro ou capital levantado ali de maneira ilícita, vamos colocar assim, o dinheiro de PCC, de crime organizado, e aí você trabalha com algumas outras estruturas dentro de casa para dar o verniz de legalidade”.
Segundo o analista, o modelo envolve empresas de pagamento e gestoras para mascarar a origem dos recursos:
“Você cria uma empresa de pagamentos, de meio de pagamento, uma PAY, sempre tem uma PAY no meio, você coloca uma gestora com fundos para dar o verniz daquele dinheiro ilícito, como que esse dinheiro chegou dentro desses fundos, tem um volume muito grande transitando dentro do PAY, abre contas e várias contas de CPFs, e aí você acaba conseguindo criar uma estrutura e um ecossistema para originar, distribuir e estruturar essas operações”.
“Mas o que a gente vê é que sempre precisa mais, para poder sustentar o restante dessa pirâmide, você sempre precisa captar e trazer novos montantes”, continuou.
Para Queiroz, a Operação Carbono Oculto, da PF contra o PCC no mercado financeiro, interrompeu esse fluxo: “Só que como aconteceu a Operação Carbono Oculto, você excessou toda a maneira de entrada desse dinheiro ilícito, ficou só com a parte ilícita, que é muito menor, e não é capaz de sustentar toda essa alavancagem, todo esse risco colocado em construção”.
“O que nós aqui, agentes de mercado de capitais e financeiros, olhávamos e falávamos: ‘não, isso daí não tem lastro, isso não tem fundamento por trás’”, prosseguiu.
“Você foi emitindo e gerando, ou originando operações, e claro, criando um ecossistema para dar verniz a isso. Só [que] como secou a fonte, a empresa era muito alavancada, e aí desbaratinou agora numa RJ [recuperação judicial] de 4 bilhões”, finalizou.

