Nesta quarta-feira (28), no programa Alive, exibido no YouTube, o jornalista Claudio Dantas afirmou que políticos não vivem a realidade do pagador de impostos e cobrou que autoridades passem a usar os mesmos serviços públicos oferecidos à população.
Ao comentar articulações partidárias envolvendo Simone Tebet, Dantas disse que ela não tem apoio do MDB e recebe convites para o PSB. Segundo ele, há exigências para evitar “fogo amigo” e manter espaço político. “O que essa gente quer? Ficar no sistema”, afirmou. Para o apresentador, políticos buscam cargos porque “não sobrevivem no mercado privado”.
Dantas declarou que o eleitor deve observar se políticos utilizam transporte público, SUS e escola pública. Citou nomes como Simone Tebet e Gilberto Kassab e questionou se eles vivem a rotina do cidadão comum. “Nenhum deles vive a realidade do pagador de impostos. Nenhum”, disse.
O apresentador criticou gestos de campanha que classificou como encenação, como visitas a feiras e viagens pontuais. Segundo ele, esse comportamento não reflete compromisso com mudanças estruturais. Afirmou que o objetivo do programa e da Sociedade Paralela é formar eleitores que cobrem esse padrão de conduta.
Ao tratar de mobilidade urbana, Dantas citou exemplos de cidades estrangeiras e comparou com o cenário brasileiro. Disse que decisões sobre BRTs e ciclovias são tomadas sem considerar o impacto real no trânsito. “Se vocês andassem nessas rodovias, vocês iam ver que são decisões estúpidas”, afirmou, ao relatar congestionamentos causados pela redução de faixas para corredores exclusivos.
Dantas também criticou políticas de ciclovias implantadas sem planejamento e citou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao mencionar experiências anteriores em São Paulo. Disse que o resultado é aumento de impostos e serviços ineficientes. “Que solução de mobilidade é essa, senhoras e senhores?”, questionou.
O apresentador defendeu que autoridades utilizem voos comerciais, transporte público e planos de saúde pagos com recursos próprios. Criticou o uso de carros oficiais, planos de saúde custeados pelo Estado e justificativas de segurança. “Essa conversa fiada de segurança, ela não cola”, disse.
Segundo Dantas, o cidadão enfrenta dificuldades para fechar as contas e ainda lida com obstáculos criados pelo poder público. Afirmou que poucos gestores se dedicam a facilitar a vida da população. “Facilitar é não se meter na vida do cidadão”, declarou.
No debate, houve análise sobre o cenário eleitoral e o papel do centro político. Um dos participantes afirmou que, para vencer eleições apertadas, é necessário atrair o centro, sob risco de derrota por margem estreita. Foi citado o retorno antecipado de Flávio Bolsonaro ao Brasil para intensificar articulações internas.
Nesse contexto, Dantas criticou a chamada terceira via e citou Simone Tebet como exemplo. Disse que ela atuou como “via auxiliar” do governo Lula e questionou seu desempenho como ministra. Alertou que eleitores rejeitam projetos percebidos como alinhados ao sistema. Segundo ele, candidatos como Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite correm risco se forem vistos dessa forma.
A analista Júlia Lucy afirmou que candidaturas majoritárias exigem construção de apoio partidário e não dependem apenas de vontade pessoal. Disse que derrotas podem ser estratégicas e que trajetórias políticas não se encerram facilmente. Segundo ela, Flávio Bolsonaro precisa demonstrar capacidade de governar para atrair alianças.
Ary Alcântara afirmou que eleições presidenciais refletem disputas de poder e que a sociedade ainda não se sente representada. Citou episódios históricos para dizer que o sistema político passa por rearranjos constantes. Segundo ele, a terceira via surge como tentativa de organização, mas o eleitor segue em busca de representação efetiva.
