Relator fala em rombo de 500 bi e quer convocar CEOs dos bancos
A CPMI do INSS entrou em uma fase decisiva das investigações sobre fraudes e irregularidades em empréstimos consignados concedidos a aposentados e pensionistas.
Nesta sexta feira (28), o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, protocolou uma série de pedidos para convocar os CEOs dos principais bancos e instituições financeiras que dominam o mercado de crédito consignado no país.
Segundo o parlamentar, esta etapa é essencial para identificar responsabilidades, apurar falhas nos mecanismos de proteção e esclarecer práticas consideradas abusivas, que podem ter alimentado um esquema que prejudica milhões de beneficiários do INSS.
Em declaração, Alfredo Gaspar afirmou que a CPMI entrou no ponto mais sensível da apuração: o consignado.
“Chegamos a um momento crucial da investigação, que são os empréstimos consignados. Nessa primeira fase da CPMI identificamos um rombo de R$ 10 bilhões nos descontos associativos, mas no consignado o problema é muito maior e pode chegar à casa dos R$ 500 bilhões. Precisamos ouvir muitos nomes e esclarecer como essas operações ocorreram e como prejudicaram tantos brasileiros. É urgente avançarmos nessas investigações e buscarmos soluções que impeçam a continuidade desses empréstimos irregulares”, afirmou.
As instituições citadas registram, nos últimos anos, alguns dos maiores volumes de reclamações na plataforma Consumidor.gov.br envolvendo crédito consignado, cartão consignado e reserva de margem consignável (RMC).
Entre os nomes que o relator quer ouvir estão executivos que comandam grandes operações de crédito voltadas ao público aposentado e pensionista:
Leila Mejdallani Pereira, presidente da Crefisa
Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master
Everton Francisco da Rosa, CEO da Facta Financeira
Luis Felix Cardamone Neto, CEO do Banco BMG
Marcelo Kalim, CEO do C6 Consignado
Eduardo Chedid, CEO do PicPay
Glauber Marques Correa, CEO do Agibank
André Luiz Calabro, CEO do Banco Pan
Mario Roberto Opice Leão, CEO do Santander
Salim Dayan, CEO do Banco Daycoval
Próximos passos da CPMI
Com os pedidos de convocação protocolados, cabe agora à comissão definir a ordem das oitivas. A expectativa é de que as falas dos executivos ajudem a esclarecer como funcionavam as operações consideradas fraudulentas, quais práticas comerciais eram adotadas e se havia incentivo interno para ampliar contratações sem consentimento adequado dos beneficiários.
A CPMI trabalha com a perspectiva de apresentar um relatório final ainda no início de 2025, com recomendações legislativas e pedidos de responsabilização.
