Durante sustentação oral realizada nesta semana (9), a advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que a pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026 apresenta um “problema fatal” e não deveria ter sido registrada na Justiça Eleitoral. Segundo ela, o questionário foi estruturado para influenciar a percepção dos entrevistados sobre o senador Flávio Bolsonaro.
Com base nesse argumento, o Diretório Nacional do PL pede ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão da divulgação do levantamento. O partido sustenta que a pesquisa apresenta vícios metodológicos que comprometem sua fidedignidade, incluindo a ausência de perguntas neutras e a concentração de questionamentos sobre o suposto envolvimento do pré-candidato Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A defesa do PL argumenta que, das 48 perguntas do levantamento, oito tratam diretamente do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Para o partido, esse conjunto de questionamentos antecede perguntas sobre avaliação dos pré-candidatos e cria um ambiente desfavorável ao senador.
“E eu nem precisava adentrar nos outros problemas, que são graves também e que se referem à técnica de framing e de induzimento. A pergunta de qual é a sua visão, positiva ou negativa, de diversas autoridades, não apenas Flávio Bolsonaro, Lula, Hugo Motta, Davi Alcolumbre, ela é apenas a de número 22”, afirmou Bucchianeri.
A advogada acrescentou: “Depois de o candidato, o pré-candidato do PL, ter sido submetido a todo tipo de observação envolvendo o escândalo [Banco Master], onde ele nem sequer é investigado, se ele deveria ou não manter a sua candidatura, isso nunca foi colocado na mesa. E só no item 22 pergunto: qual é a sua visão sobre ele, positiva ou negativa? Nenhum dos outros candidatos cujos nomes estão expostos ali se submeteu a esse framing.”
Segundo o partido, o pedido não tem motivação política. Durante a sessão, Bucchianeri afirmou que a ação “não tem lado” e citou como exemplo uma das perguntas do levantamento que, segundo ela, também seria desfavorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A controvérsia chegou ao plenário do TSE após decisão individual do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Na segunda-feira (8), o magistrado concedeu liminar suspendendo a divulgação da pesquisa e determinou que o caso fosse submetido ao referendo dos demais ministros.
Ao votar pela manutenção da medida cautelar, Nunes Marques afirmou que os elementos apresentados pelo PL indicam possível comprometimento da metodologia utilizada pela AtlasIntel.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, declarou o ministro.
Segundo ele, a discussão ultrapassa divergências metodológicas e envolve a possibilidade de utilização do questionário como mecanismo de indução dos entrevistados.
O ministro também registrou que, ao examinar outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não identificou estrutura semelhante à utilizada no levantamento contestado, nem o emprego de recursos audiovisuais como os utilizados na pesquisa questionada.
Divulgado em 19 de maio, o levantamento apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A pesquisa foi publicada após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Após o voto de Kassio Nunes Marques, a ministra Estela Aranha pediu vista do processo. Com isso, o julgamento foi suspenso e será retomado em data a ser definida pelo Tribunal.
