O analista financeiro Hugo Queiroz avaliou a dinâmica entre os presidentes Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU como um movimento tático do líder americano. No programa Alive, do canal Claudio Dantas, Queiroz analisou o breve encontro, que ocorreu logo após o discurso de Lula, carregado de indiretas contra as sanções e tarifas econômicas impostas dos EUA ao Brasil.
O presidente americano elogiou a simpatia de Lula e mencionou um possível encontro futuro para discutir as tarifas. Para Queiroz, a intenção de Trump não é aliviar o discurso, mas sim colocar suas regras na mesa de negociação, reforçando a ideia de que o sucesso brasileiro depende de um alinhamento com os EUA.
“Essa indicação é tirar o discurso e a força do Lula sobre, ‘Trump não quer falar’. Agora colocou isso a público. Chamou para a mesa e colocou as regras que ele quer estabelecer”, afirmou o analista.
Ele complementou a análise ao citar a fala de Trump, que disse gostar do petista, mas que o Brasil “não vai ter sucesso se não se unir ou se adequar à linha de pensamento e atuação norte-americana”.
Queiroz também desvinculou a baixa do dólar vista nesta quarta-feira (24) da sinalização dada por Trump. Segundo o analista, o mercado financeiro tem uma dinâmica global complexa, e não se pode vincular a valorização da bolsa ou o alívio do câmbio a um encontro de “20 ou 39 segundos”.
“Muito do que a gente está vendo de alívio no mercado financeiro não veio por conta dessa sinalização de ontem, não veio por conta dessa discussão efetiva de tarifação ou não”, indicou Queiroz.
Ele explicou que a movimentação do mercado é influenciada por fatores como a interligação entre os mercados, a possibilidade de arbitragem e, principalmente, a política monetária dos EUA.
O analista citou o recente corte de juros do Federal Reserve (Fed), que impacta as expectativas de Selic futura no Brasil e o câmbio, criando um diferencial de juros.
O analista concluiu que o “jeito Trump” de fazer negócios continua imprevisível. “O jeito Trump, o mercado interpreta de um caminho e ele toma outras decisões. Ninguém acreditava que ele ia persistir com as tarifas, ele persistiu. Ninguém acreditava [nos] efeitos da tarifa, imaginavam outros”, finalizou Queiroz.
