Abridef questiona MEC sobre distribuição de livros em braille
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Educação

Abridef questiona MEC sobre distribuição de livros em braille

Governo diz que há contratos e promete entrega em março; entidade afirma que apenas acordo de 2025 está vigente

A entidade afirma que, apesar da negativa do governo, ainda não existe contrato específico para a produção deste ano. Foto: Freepik.

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Por Redação

Depois da denúncia de que estudantes cegos começaram o ano letivo sem livros didáticos acessíveis, a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef) voltou a se manifestar e questionou a garantia do Ministério da Educação (MEC) de que não haverá “braille zero” em 2026.

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A entidade afirma que, apesar da negativa do governo, ainda não existe contrato específico para a produção deste ano.

A Abridef já havia atribuído o cenário à falta de planejamento contratual para a produção dos livros.

MEC

O MEC reagiu, na última terça-feira (10), dizendo que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) possui contratos vigentes capazes de assegurar o atendimento e anunciou a distribuição de livros em braille a partir de março, com investimento estimado em R$ 27 milhões e cerca de 22 mil exemplares destinados a estudantes cegos e surdocegos.

A pasta também informou que os contratos atuais contemplam alunos dos anos iniciais e finais do ensino fundamental e que o credenciamento para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) segue em andamento, devendo avançar ainda no primeiro semestre.

Segundo dados do Censo Escolar citados pelo ministério, há 3.116 estudantes cegos no ensino fundamental e 379 na EJA nas redes que aderiram ao programa, com potencial de atendimento de até 4.591 matrículas.

Contrato vigente

Apesar disso, a Abridef sustenta que o único instrumento vigente é o contrato referente à produção de 2025, prorrogado por aditivo no fim do ano passado, com possibilidade de acréscimo de até 25% da demanda original. Mesmo com a execução total desse saldo, a capacidade estimada atenderia cerca de mil estudantes — abaixo do volume mencionado pelo governo.

“O orçamento anunciado não se confunde com a capacidade contratual vigente. Hoje existe apenas o contrato de 2025 prorrogado por aditivo. Ainda não há instrumento novo firmado para 2026 que sustente o volume mencionado”, afirmou o presidente da entidade, Rodrigo Rosso.

Prazo técnico de produção

A associação afirma que a fabricação de livros em braille depende de etapas de transcrição especializada, adaptação pedagógica, impressão em relevo e logística nacional integrada ao envio dos livros regulares. O processo leva, em média, de seis a nove meses entre edital e entrega nas escolas.

Historicamente, para que os materiais estejam disponíveis no início das aulas em fevereiro, a contratação precisa ocorrer entre maio e setembro do ano anterior — o que não ocorreu para o ciclo atual.

“O processo é estruturado e conhecido. O ponto determinante é a previsibilidade contratual. Quando o edital não é publicado dentro da janela adequada, o cronograma é impactado”, disse Rosso.

Divergência sobre número de alunos

O MEC afirma que, ao todo, 6.996 estudantes cegos e surdocegos estão matriculados em escolas públicas, considerando diferentes etapas de ensino. Já a Abridef estima cerca de 45 mil estudantes cegos em idade escolar com base em dados demográficos do IBGE.

Para a entidade, a diferença indica falhas de registro, mas não elimina a demanda por material acessível.

Próximos ciclos

A associação defende que utilizar o contrato de 2025 para suprir a demanda atual não substitui a necessidade de publicação de edital próprio para 2026 e alerta que o ciclo de 2027 exigirá contratação ainda neste primeiro semestre para evitar repetição do cenário.

“Garantir que não haja ‘braille zero’ exige previsibilidade, transparência e instrumentos contratuais compatíveis com a demanda nacional”, concluiu Rosso.

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