“CPI do Master já”, diz Flávio após supostos repasses para filme sobre Bolsonaro
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Política

“CPI do Master já”, diz Flávio após supostos repasses para filme sobre Bolsonaro

Senador afirma que não recebeu vantagens de Daniel Vorcaro e cobra investigação sobre relações do Banco Master com o governo Lula

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta terça-feira (13) uma nota à imprensa em que cobra a instalação da CPI do Banco Master e nega ter recebido vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira investigada na Operação Compliance Zero.

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“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos”, afirmou o senador.

Na nota, Flávio declarou que o envolvimento da família Bolsonaro com o projeto cinematográfico “Dark Horse” ocorreu por meio da busca de patrocínio privado para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, disse.

O posicionamento foi divulgado após reportagem de O Globo revelar que o Banco Master repassou ao menos R$ 2,329 milhões, em 2025, para a empresa Entre Investimentos, apontada como ligada à estrutura financeira usada para viabilizar o longa inspirado em Bolsonaro.

Segundo a publicação, os valores aparecem em declarações de Imposto de Renda entregues à Receita Federal. A empresa tem como sócio-administrador Antonio Carlos Freixo Júnior e aparece vinculada às movimentações financeiras do projeto.

Flávio afirmou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando, segundo ele, ainda não havia acusações públicas contra o banqueiro.

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, declarou.

O senador também afirmou que o contato com Vorcaro foi retomado apenas após atrasos em parcelas relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse.

Na nota, Flávio negou qualquer contrapartida política ou vantagem pessoal nas tratativas envolvendo o projeto.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.

O senador ainda comparou sua relação com Vorcaro às ligações do banqueiro com integrantes do governo Lula.

“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, escreveu.

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, investigado como operador financeiro do banqueiro, discutiram pagamentos ligados ao filme “Dark Horse” em mensagens obtidas pela investigação.

As conversas mencionam atrasos em repasses e alternativas para transferências internacionais em dólar. Em uma das mensagens, Zettel teria enviado comprovante de transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção.

O publicitário Thiago Miranda afirmou que intermediou a aproximação entre Vorcaro e os responsáveis pelo filme. Segundo ele, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi quem apresentou inicialmente o projeto ao empresário.

“Conversei com vários empresários e mostrei para o Daniel. Ele disse que tinha interesse em entrar como investidor”, afirmou Miranda ao jornal.

O publicitário também declarou que Flávio Bolsonaro não participou diretamente das negociações iniciais. “Quem sempre esteve à frente do filme foi o Mario Frias”, disse.

O longa “Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro, menos de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais. O filme reconta episódios da trajetória política de Jair Bolsonaro, incluindo o atentado sofrido durante a campanha de 2018.

A produção é estrelada por Jim Caviezel, ator conhecido pelo filme “The Passion of the Christ”. O elenco também inclui Esai Morales e o brasileiro Marcus Ornellas, que interpretará Flávio Bolsonaro.

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram presos em março durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A defesa do banqueiro não se manifestou até o momento.

Assista ao vídeo do senador Flávio Bolsonaro:

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