Duas semanas após Jaques Wagner (PT-BA) ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), e uma semana depois de deixar a liderança do governo no Senado, o senador recebeu uma demonstração pública de afago de Lula (PT), durante evento oficial em Alagoinhas, na Bahia.
Ignorando toda a repercussão negativa do caso envolvendo o Banco Master, o presidente chamou nesta quarta-feira (1º) o ex-governador de “irmão”
Lula até hoje não se manifestou publicamente sobre o envolvimento do aliado no caso Master e não demonstrou preocupação com o risco de que as investigações cheguem a seu ministro da Casa Civil, Rui Costa.
“A gente não escolhe pai, mãe, irmãos ou irmãs. Mas escolhe os companheiros. E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data”, afirmou, ao citar nominalmente Wagner, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador Otto Alencar (PSD-BA).
Lula então afirmou:
“Nem todo irmão é amigo, mas todo amigo é um irmão. Essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço e a ser o que eu sou.”
“Estamos firmes defendendo seu nome”
Antes da fala de Lula, Wagner discursou e também evitou comentar o inquérito da PF.
“Se tiver que sintetizar em uma palavra o sentimento dos baianos em relação ao senhor (Lula), a palavra é gratidão. É impressionante olhar de 2003, mesmo com a interrupção dos últimos quatro anos (mandato de Jair Bolsonaro) e de dois anos e meio que roubaram do mandato da Dilma (Rousseff), é uma coisa fantástica o que conseguimos mudar pelo seu compromisso com a Bahia”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, Wagner abraçou Lula e reafirmou apoio ao governo.
“Meu abraço carinhoso, estamos aqui firmes defendendo o seu nome, o seu projeto e vamos para cima porque esse ano é festa da democracia”, declarou.
Favorecimento ao Banco Master
Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas para favorecer interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Segundo as investigações, o parlamentar teria sido beneficiado com um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de supostos repasses financeiros relacionados à atuação em favor da instituição.
Durante o cumprimento de mandados de busca, agentes da PF também apreenderam cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil), 33 mil euros (R$ 196,3 mil) e 13 relógios em endereços ligados ao senador.
Embora o Palácio do Planalto tenha apresentado a troca de liderança como uma reorganização da articulação política, a mudança ocorreu em meio ao avanço das investigações. Para ocupar a função, Lula indicou a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
De acordo com sua defesa, o apartamento foi adquirido por meio de um acordo particular firmado ainda na planta e destinado à sua enteada. Em relação ao dinheiro encontrado, o senador afirma que os valores são provenientes de diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior durante o exercício do mandato.
