O porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, afirmou nesta manhã (12) que o Irã pode elevar o enriquecimento de urânio para até 90% caso sofra novos ataques dos Estados Unidos. O nível é considerado de uso militar e suficiente para a produção de armas nucleares.
“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Vamos analisar isso no Parlamento”, declarou Rezaei na rede social X.
Hoje, o país mantém cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. Especialistas avaliam que o avanço até 90% poderia ocorrer em poucas semanas. O Tratado de Não Proliferação Nuclear estabelece limite de 20% para uso civil.
A escalada ocorre em meio ao impasse diplomático com Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou recentemente como “totalmente inaceitáveis” as exigências iranianas e chamou a proposta de paz para o fim da guerra no Oriente Médio de “lixo”.
Segundo Trump, o cessar-fogo iniciado em 8 de abril de 2026 permanece, mas está “por um fio” diante da falta de avanços nas negociações.
O conflito na região começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os EUA e Israel atacaram o Irã. O cenário elevou a tensão geopolítica em todo o Oriente Médio e pressionou o preço do petróleo no mercado internacional.
Em resposta às falas de Trump, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio de Esmail Baghaei, classificou a proposta iraniana como “legítima e generosa”. O plano apresentado por Teerã inclui o fim das hostilidades em todas as frentes, suspensão temporária de sanções econômicas e flexibilização parcial do programa nuclear, com transferência de parte do urânio enriquecido para um terceiro país mediante garantias de devolução.
Os Estados Unidos, por sua vez, exigem a suspensão do programa nuclear iraniano por 20 anos, desativação de instalações estratégicas e maior controle internacional sobre o Estreito de Ormuz, além do fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.
