Partidos políticos registraram mais gastos do que arrecadaram nos últimos anos eleitorais. Neste ano, as legendas vão receber quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral para as campanhas.
Levantamento do jornal O Globo, com base em balanços das legendas, mostra que em 2024, ano de eleições municipais, 19 das 29 siglas que participaram do pleito fecharam o exercício com mais despesas do que receitas.
Em 2022, nas eleições gerais, o quadro foi ainda mais amplo: 24 partidos gastaram acima do que arrecadaram.
Dirigentes partidários afirmaram ao jornal que o modelo é recorrente e sustentam que as siglas acumulam recursos em anos sem eleição para sustentar o aumento das despesas durante as campanhas, quando a pressão financeira é maior.
Na prática, o sistema opera como uma espécie de “reserva interna”, segundo o jornal. O dinheiro recebido fora do período eleitoral é usado para cobrir gastos que, em muitos casos, ultrapassam a própria cota anual do Fundo Eleitoral.
O mecanismo não é considerado irregular, mas as contas são analisadas anualmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que verifica a regularidade das despesas.
Entre os casos, o PL informou ao TSE um déficit de R$ 78,7 milhões em 2022, ano em que disputou a reeleição de Jair Bolsonaro à Presidência, o maior entre todas as siglas. Em 2023, sem eleições, registrou superávit de R$ 54,6 milhões.
Já em 2024 voltou ao campo negativo, com R$ 22,6 milhões. A prestação de contas de 2024 ainda não foi entregue. O prazo vence em junho.
O PSDB também alternou resultados no período. Em 2024, teve déficit de R$ 12,6 milhões. Em 2022, havia registrado saldo negativo de R$ 1,6 milhão. No ano intermediário, 2023, fechou com superávit de apenas R$ 26 mil. A sigla não se manifestou.
No caso do PT, de Lula, houve déficit de R$ 5,1 milhões em 2022 e de R$ 2,1 milhões em 2024. Em 2023, registrou superávit de R$ 10,3 milhões. Em nota, a legenda afirmou ao jornal que “não houve prejuízo no sentido financeiro” e que os saldos negativos refletem “variações contábeis ligadas ao Fundo Eleitoral”.
O Fundo Eleitoral, conhecido como Fundão, é distribuído a cada dois anos e só pode ser usado em campanhas. Em 2022 e 2024, o valor foi de R$ 4,9 bilhões, mesmo patamar previsto para o ciclo atual.
Além dele, os partidos também recebem o Fundo Partidário, voltado à manutenção das estruturas permanentes. Em 2025, o repasse atingiu R$ 1,1 bilhão, o maior já registrado.