Heliponto do Palácio dos Bandeirantes foi usado por PCC na gestão Doria
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Heliponto do Palácio dos Bandeirantes foi usado por PCC na gestão Doria

Relatório aponta articulação política para liberar pouso

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Por Redação

Um relatório da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) revelou que um helicóptero transportando um suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em 10 de março de 2022. O episódio ocorreu durante a gestão do então governador João Doria (PSDB) e, segundo os investigadores, a autorização foi obtida em poucas horas por meio de articulações políticas.

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O caso faz parte da Operação Contaminatio, deflagrada nesta segunda-feira (27), que investiga a atuação da facção criminosa dentro de administrações municipais e possíveis esquemas de financiamento político. A apuração é conduzida pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes.

De acordo com os investigadores, o passageiro da aeronave era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como suspeito de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Ele foi preso em março deste ano, após permanecer foragido desde 2025, quando passou a ser alvo de outra operação policial.

As investigações indicam que o pedido para uso do heliponto teria sido intermediado pelo então vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula (PSD), que, em mensagens analisadas pela polícia, afirmou possuir acesso a integrantes do governo estadual. Para justificar a solicitação, teria sido informado que a aeronave transportava uma suposta comitiva estrangeira.

A suspeita dos investigadores é de que o aval tenha sido viabilizado por meio de contatos dentro da estrutura administrativa estadual, possivelmente envolvendo assessores ligados à Secretaria de Desenvolvimento Regional à época. O ex-secretário Marco Vinholi (PSDB), no entanto, negou qualquer participação e afirmou não conhecer os envolvidos.

Em manifestação, João Doria afirmou que não há participação direta do governador na autorização de pousos no local, atribuição que, segundo ele, cabe a outros setores do governo estadual, como a Casa Militar.

O relatório policial classifica o episódio como um indicativo da capacidade de articulação da organização criminosa e alerta para riscos institucionais. Segundo o documento, o caso evidencia tentativas de aproximação do grupo com estruturas públicas e acesso a decisões administrativas.

A Operação Contaminatio é um desdobramento de investigações anteriores que já haviam identificado indícios de financiamento de campanhas políticas por parte da facção. Nesta nova fase, a polícia aponta a existência de uma rede de contatos envolvendo agentes públicos, empresários e possíveis candidatos, com atuação em diferentes regiões do estado.

Além disso, os investigadores apuram a tentativa de inserção de uma instituição financeira ligada ao grupo criminoso na gestão de receitas municipais, o que poderia permitir o controle indireto de tributos e movimentações financeiras públicas.

Ao todo, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão em diversos estados, incluindo São Paulo, Goiás, Paraná e o Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de centenas de milhões de reais em bens e ativos dos investigados.

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