O governo iraniano encaminhou aos Estados Unidos uma lista de pontos considerados inegociáveis em meio à crise no Oriente Médio, utilizando o Paquistão como intermediário diplomático. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal iraniana Fars, que indica que o conteúdo abrange temas sensíveis como o programa nuclear e a situação do Estreito de Ormuz.
Segundo autoridades iranianas, a iniciativa não representa uma reabertura formal de negociações com Washington, mas sim uma tentativa de delimitar posições e esclarecer condições para eventuais conversas futuras. O material foi entregue pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, durante passagem por Islamabad no fim de semana.
Após a agenda no Paquistão, o chanceler seguiu para a Rússia, onde tem reuniões previstas com o presidente Vladimir Putin. Em declarações à Press TV do Irã, Araghchi afirmou que houve avanços pontuais nas tratativas indiretas, mas criticou o que classificou como “exigências excessivas” por parte dos Estados Unidos.
O Paquistão e Omã têm atuado como mediadores recentes entre Teerã e Washington. De acordo com o ministro iraniano, as conversas nesses países incluíram a avaliação de cenários para uma possível retomada do diálogo, embora sem resultados conclusivos até o momento.
Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que não vê necessidade de intermediação para avançar nas tratativas e afirmou que o Irã pode iniciar contato direto “se quiser conversar”. Ele também indicou que o conflito pode ter um desfecho em curto prazo.
Estreito de Ormuz no centro da disputa
Um dos principais pontos de tensão segue sendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Autoridades iranianas têm defendido maior controle militar sobre a região e discutem propostas para ampliar a gestão nacional sobre a via marítima, incluindo mudanças na forma de cobrança e circulação de embarcações.
Teerã também intensificou o diálogo com Omã sobre a segurança e a navegação no estreito. O tema é tratado como prioridade comum entre os países, dada a relevância econômica e geopolítica da área.
Conflito regional se amplia
A troca de mensagens ocorre em meio à escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada no fim de fevereiro após ataques que atingiram a cúpula do regime iraniano. Desde então, confrontos diretos e indiretos têm se espalhado por diferentes pontos do Oriente Médio.
O Irã respondeu com ofensivas direcionadas a interesses americanos e israelenses em países vizinhos, enquanto aliados como o Hezbollah também ampliaram sua atuação. O grupo intensificou ataques contra Israel a partir do Líbano, levando a novas operações militares na região.
Com baixas significativas na liderança iraniana, um novo comando foi estabelecido, marcando continuidade na linha política do regime. A evolução do conflito e os impasses diplomáticos mantêm o cenário de instabilidade, com impactos diretos na segurança regional e no mercado energético global.
