Gilmar diz que inquérito das fake news “continua necessário”
Brasília, Sexta, 12 de junho de 2026
Justiça

Gilmar diz que inquérito das fake news “continua necessário”

Ministro do STF defende manutenção da investigação e critica ataques à Corte

Gilmar Mendes afirma que STF pode discutir descriminalização de todas as drogas após decisão sobre porte de maconha.
Foto: Ton Molina/STF

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Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu a continuidade da investigação durante entrevista ao Jornal da Globo, exibida na noite ontem (22).

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“Eu tenho a impressão de que o inquérito das fake news continue necessário. Continua necessário. E ele vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e em bom som. O tribunal tem sido vilipendiado. Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do crime organizado de atacar a corte e pedir indiciamento de pessoas não cuidando de quem efetivamente cometeu crimes. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta. Eu acho que foi um momento importante do Supremo ter aberto o inquérito e de manter pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, disse.

Na entrevista, o ministro também comentou a atuação do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, após a divulgação de vídeos com críticas a integrantes da Corte.

“Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira”, afirmou. “Ele [Zema] fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva e isso precisa ser aferido.”

Gilmar disse ainda que Zema “tenta sapatear aproveitando o momento eleitoral”. O ministro enviou notícia-crime ao gabinete de Alexandre de Moraes para apuração no inquérito das fake news. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República e tramita sob sigilo.

O ministro também mencionou decisões do STF relacionadas à dívida de Minas Gerais com a União. “Já tive a oportunidade de dizer que o governo Zema só governou Minas Gerais porque obteve liminares aqui no Supremo que o deixaram sem pagar a dívida para com a União por 22 meses”, disse. “Estou só chamando a atenção para o fato de que as pessoas vêm ao Tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta.”

Durante a entrevista, Gilmar afirmou estar “chocado” com o relatório da CPI do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira, que sugeriu o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral Paulo Gonet.

“No meu caso, por ter dado um habeas corpus. Só isso. E isso vira uma causa para indiciamento. (…) É extremamente grave”, afirmou.

O ministro questionou a motivação do relator. “Por que ele [Alessandro Vieira] fez isso? Será por que ele está ameaçado pelo crime organizado? Ou o que pode ser pior, outra hipótese, por que ele está sendo financiado pelo crime organizado?”, declarou.

Sobre o caso envolvendo o Banco Master, Gilmar disse que não se trata de um episódio ligado ao STF. “O caso do Banco Master não é um escândalo do STF”, afirmou. “A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Se eu fosse buscar o endereço do caso Vorcaro, eu veria ele na Faria Lima.”

O ministro também comentou a atuação da imprensa e a necessidade de revisão interna nas instituições. “Devemos fazer esse tipo de avaliação inclusive para fins de eventual correção de regimento ou novas orientações”, disse. “Espero também que a imprensa faça a sua autocrítica. A imprensa, por exemplo, apoiou a Lava Jato. Não escutei depois a autocrítica.”

Gilmar abordou ainda decisões da Corte sobre impedimentos de magistrados. “A lei foi extremamente mal feita e levava a um impedimento geral”, afirmou. “O ministro Alexandre jamais julgou o caso do Master. O caso relativo ao ministro [Dias] Toffoli, talvez ele não devesse ter julgado por outras razões. (…) Mas depois ele [Toffoli], juntamente com o Tribunal, decidiu que não poderia continuar no processo.”

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