Presidente da UNE aponta distanciamento de Lula da juventude
Brasília, Sexta, 19 de junho de 2026
Política

Presidente da UNE aponta distanciamento de Lula da juventude

Bianca Borges afirma que governo enfrenta dificuldade para dialogar com jovens e vê avanço de perfil mais conservador entre eleitores

Lula
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Por Redação

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que o governo do presidente Lula (PT) enfrenta dificuldades para dialogar com a juventude. Segundo ela, há um desafio crescente para aproximar as ações do governo das expectativas da população mais jovem.

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“Acho que falta a gente se conectar com o sentimento das pessoas. Esse talvez seja o grande desafio do presidente Lula”, declarou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Borges avaliou que havia, dentro da esquerda, a percepção de que a entrega de políticas públicas seria suficiente para garantir apoio popular, mas disse que pesquisas recentes mostram um cenário diferente.

“Não dá só para ampliar o sistema de saúde ou inaugurar universidades. Isso é importante, mas não é o que está deixando a população satisfeita”, afirmou.

Na análise da dirigente, fatores do cotidiano têm influenciado a percepção dos eleitores, incluindo frustrações relacionadas ao consumo e às condições de vida. Ela também destacou que o comportamento político da juventude vem passando por mudanças, com impacto direto no cenário eleitoral.

“Essa eleição vai ser fortemente influenciada por fatores geracionais”, disse.

Ao comentar o ambiente digital, Borges apontou uma diferença na forma como lideranças políticas se comunicam.

“De um lado, o Lula que não tem nem celular; do outro, o Nikolas Ferreira, que utiliza intensamente as redes sociais”, afirmou, ao destacar o alcance de parlamentares no meio digital.

Para a presidente da UNE, o distanciamento de temas históricos também influencia o posicionamento político dos jovens.

“Os jovens hoje são muito desconectados da própria história do nosso país”, disse. Segundo ela, essa lacuna pode favorecer discursos mais conservadores.

Borges ainda avaliou que a combinação entre alta exposição às redes e dificuldades na filtragem de informações contribui para o cenário atual.

“A juventude é amplamente conectada, mas pouco preparada para lidar com as informações”, concluiu.

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