A investigação da Polícia Federal que levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões articulada com o Banco Master para contornar a fiscalização do Banco Central.
A PF cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. O executivo é suspeito de participação em um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Ele nega irregularidades.
Segundo o inquérito, o BRB realizou operações com o Master enquanto o Banco Central analisava a possível venda da instituição financeira. A operação teria servido para dar fôlego ao banco privado durante o processo.
O modelo envolvia a compra de carteiras de crédito. De acordo com o Ministério Público Federal, o Master adquiriu ativos sem pagamento e os revendeu ao BRB, gerando transferência de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025.
O Banco Central identificou inconsistências nas operações após análise de contratos e não encontrou correspondência entre os dados apresentados e os fluxos financeiros. O órgão apontou indícios de “insubsistência” e possível engenharia contábil para captação de recursos.
As investigações também indicam o uso de uma empresa criada recentemente, com características de “empresa de prateleira”, para viabilizar as transações. Documentos teriam sido formalizados apenas após o início das operações.
Após questionamentos do Banco Central, o BRB alterou a estrutura das operações, substituindo ativos e tentando reduzir a exposição financeira. Ainda assim, segundo a apuração, os valores superaram limites legais de concentração de risco.
Entre julho de 2024 e outubro de 2025, as operações entre BRB e Master somaram R$ 16,7 bilhões, mesmo com ressalvas feitas pela autoridade monetária.
