“Governo tentou enterrar investigações”, diz Gaspar ao levar relatório da CPMI ao STF
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Justiça

“Governo tentou enterrar investigações”, diz Gaspar ao levar relatório da CPMI ao STF

Documento com 216 indiciados, rejeitado pela comissão, será anexado a inquéritos no STF

Foto: Reprodução

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) e o senador Carlos Viana (Podemos-MG) entregaram nesta quarta-feira (15), no Supremo Tribunal Federal (STF), o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que reúne mais de 4 mil páginas e aponta 216 indiciamentos em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.

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O documento foi apresentado aos ministros André Mendonça e Luiz Fux e deve ser incorporado aos inquéritos em andamento sob análise da Polícia Federal (PF).

O parecer, no entanto, foi rejeitado pelo colegiado no fim de março, por 19 votos a 12, o que encerrou os trabalhos sem a aprovação de um relatório final oficial.

Durante coletiva de imprensa, Gaspar afirmou que a entrega direta ao STF teve como objetivo garantir o prosseguimento das investigações. Outros parlamentares da oposição estiveram presentes no encontro.

“Nós escolhemos entregar esse relatório no Supremo Tribunal Federal, ao ministro André Mendonça, por ser o relator, e ao ministro Fux. De ambos recebemos a confirmação que haverá encaminhamento e prosseguimento dessas investigações”, declarou.

O relator também criticou o governo federal. “O governo Lula trabalhou muito para enterrar as investigações”, disse.

Em seguida, comparou o documento com um relatório alternativo: “Nós fizemos um relatório técnico com 216 indiciados. Enquanto o relatório paralelo tem 136 investigados. […] Quantos parlamentares estão indicados no relatório do PT? Quantos poderosos estão indicados no relatório do PT?”.

Gaspar afirmou que o material foi construído com base em dados da CPMI, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.

“Nós não protegemos ninguém”, disse. Segundo ele, o relatório teria alcançado “inclusive pessoas próximas ao poder”.

O deputado também afirmou que eventuais acordos de colaboração poderiam confirmar o conteúdo do parecer. “Em breve, eu não tenho dúvida que muito criminoso que está trancafiado não vai aguentar ficar calado e os senhores terão essa verdade à tona”, afirmou.

Segundo o relator, Fux e Mendonça estariam sofrendo “pressões absolutas”.

Viana, confirmou que o relatório será anexado aos inquéritos em curso. “Todo o nosso relatório, as nossas provas, elas serão analisadas pelos delegados da Polícia Federal e serão acrescentadas aos inquéritos”, declarou.

O senador afirmou que o material pode ampliar o alcance das investigações. “Se provas novas, como nós acreditamos, surgirem, outras pessoas também podem ser indiciadas além das que já estão sendo identificadas”, disse.

O presidente da CPMI também fez críticas a tentativas de barrar o avanço da comissão. “Aqueles que acreditaram que impedindo a continuação da CPMI as investigações não chegariam a lugar nenhum, podem esperar. O Brasil saberá quem roubou os aposentados do nosso país”, afirmou.

Ao comentar o cenário político, o senador declarou que há resistência à apuração de irregularidades. “Há muita gente que transformou Brasília num balcão de negócios e não querem ser descobertos”, disse.

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