Figueiredo: 'Ramagem tem asilo pendente não corre risco de deportação'
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Justiça

Figueiredo: ‘Ramagem tem asilo pendente não corre risco de deportação’

Escritório que representa o caso afirma que status migratório é legal

Ramagem
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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Alexandre Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) nesta manhã (13), em Orlando, na Flórida. A Polícia Federal confirmou a informação. O ex-deputado federal cassado está nos Estados Unidos desde setembro de 2025, quando deixou o Brasil durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

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Paulo Figueiredo, sócio da Immigrex — empresa que presta assistência a Ramagem e sua família —, divulgou nota com esclarecimentos sobre o caso. Segundo ele, a detenção não configura prisão e o episódio tem natureza exclusivamente migratória.

“Ramagem não foi preso, mas detido após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE — procedimento comum na Flórida”, afirmou Figueiredo. Ele acrescentou que o status migratório de Ramagem é regular. “Ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso.”

O jornalista descartou risco imediato de deportação. “Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação. O trâmite do ICE também é burocrático e depende da formalização no sistema do órgão para que os próximos passos sejam dados.”

Figueiredo também separou os institutos jurídicos envolvidos. “Extradição e deportação não têm absolutamente nada a ver entre si: extradição é um processo político-diplomático entre Estados, conduzido pelo Departamento de Estado; deportação é um procedimento administrativo interno de imigração. O caso em questão é exclusivamente migratório.”

Sobre eventual participação do governo brasileiro no episódio, Figueiredo foi categórico. “O governo brasileiro não teve qualquer participação nesse episódio. Trata-se de um procedimento padrão da imigração americana. Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado.”

O pedido de extradição foi formalizado pelo Ministério da Justiça em 30 de dezembro de 2025, por meio da Embaixada brasileira em Washington.

Ramagem deixou o Brasil em 9 de setembro de 2025, mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes leu seu voto pela condenação. Ele apresentou atestado médico à Câmara dos Deputados e seguiu de Boa Vista para Georgetown, capital da Guiana, de onde embarcou para Miami com passaporte diplomático. O documento foi cancelado em dezembro de 2025, após a cassação do mandato pelo Congresso Nacional.

Em entrevista dada cinco meses antes da detenção, Ramagem havia afirmado estar seguro nos Estados Unidos. “Hoje estou seguro aqui com anuência do governo americano. Essa perseguição contra mim é grave”, declarou ao canal Conversa Timeline, no YouTube.

Delegado da Polícia Federal, Ramagem dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e março de 2022, no governo Jair Bolsonaro. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 59 mil votos. Em 2024, disputou a prefeitura do Rio pelo PL, ficando em segundo lugar com 30,81% dos votos.

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