O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, que não há qualquer auditoria ou sindicância interna que aponte responsabilidade do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”, declarou.
A fala ocorre em meio a pressões políticas. O presidente Lula (PT) tem associado a origem do problema à gestão anterior do BC, iniciada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Rombo bilionário
O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 após um colapso de liquidez. Segundo Galípolo, a instituição chegou a ter apenas cerca de 10% do caixa necessário para honrar compromissos no momento da intervenção.
O impacto foi de aproximadamente R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — o maior já registrado — mesmo com o banco tendo participação inferior a 1% no sistema financeiro. Também houve perdas de cerca de R$ 2 bilhões em fundos de previdência de estados e municípios.
As irregularidades vieram à tona durante a tentativa de aquisição de ativos do Master pelo Banco de Brasília, em 2025. A análise revelou carteiras de crédito sem lastro.
O Banco Central afirmou ter identificado o problema em 27 de junho de 2025 e comunicou o caso à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) em julho. A liquidação ocorreu após o aprofundamento das investigações.
Servidores afastados
Dois servidores do Banco Central foram afastados e são investigados por suspeita de favorecer o banco: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Segundo as apurações, eles teriam:
- orientado o Banco Master em processos internos;
- revisado documentos enviados ao BC;
- vazado informações sigilosas;
- atuado para facilitar decisões regulatórias;
- recebido vantagens indevidas por meio de terceiros e contratos simulados.
Os casos são investigados pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal, nas esferas administrativa e criminal.
Vorcaro
O fundador do banco, Daniel Vorcaro, está preso desde março e é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas. Ele negocia um acordo de delação premiada, que pode atingir autoridades em diferentes níveis.
