O governo do Irã interrompeu a comunicação direta com os Estados Unidos após declarações do presidente Donald Trump (Republicano), que ameaçou “destruir toda a civilização” iraniana. A informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal nesta terça-feira (7), em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
Apesar do rompimento direto, interlocutores da região afirmam que as tratativas por um cessar-fogo continuam de forma indireta, por meio de mediadores diplomáticos. A manutenção desses canais é vista como crucial diante do prazo estipulado por Washington para um acordo.
O ultimato norte-americano prevê que Teerã reabra integralmente o Estreito de Ormuz até as 21h (horário de Brasília). A via marítima é considerada uma das mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, e qualquer interrupção impacta diretamente o mercado global de energia.
Autoridades iranianas reagiram com tom firme. Em declarações à imprensa internacional, representantes do alto escalão afirmaram que o país não aceitará concessões em troca do que classificaram como “promessas vazias”. Também houve ameaça de ampliação do bloqueio para o Bab el-Mandeb, outro corredor vital para o comércio marítimo.
O cenário se agrava com advertências de que, em caso de ataques a infraestruturas energéticas iranianas, a resposta poderia afetar toda a região. Entre as possibilidades mencionadas está a interrupção do fornecimento de energia em larga escala no Oriente Médio.
O embate ocorre na sexta semana de confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Washington sustenta que busca impedir o avanço do programa nuclear iraniano e limitar sua capacidade militar, especialmente no desenvolvimento de mísseis.
Enquanto isso, Teerã demonstra capacidade de pressão ao afetar rotas estratégicas e manter ataques contra território israelense, atingindo cidades importantes e ampliando o alcance do conflito para países vizinhos.
Internamente, o endurecimento do discurso também ocorre em meio a pressões políticas sobre Trump, que enfrenta impactos econômicos e desgaste na opinião pública às vésperas das eleições legislativas nos Estados Unidos.
Nos últimos dias, o presidente norte-americano tem elevado o tom das declarações, alternando prazos e ameaças diretas. Entre as medidas mencionadas estão possíveis ataques a pontes e usinas de energia iranianas, caso não haja avanço nas negociações.
Com o prazo se aproximando do fim, o impasse entre as duas potências mantém o mercado internacional em alerta e amplia o risco de uma escalada militar com efeitos que podem ultrapassar as fronteiras da região.
