O ex-chefe de Supervisão do Banco Central do Brasil, Belline Santana, abriu uma empresa voltada à educação financeira de crianças para receber recursos do Banco Master, segundo investigação da autoridade monetária.
O BC apurou a relação entre Belline e o empresário Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, e identificou indícios de enriquecimento ilícito.
Belline foi afastado em janeiro e alvo de operação da PF em março. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, classificou o servidor como “empregado” e “consultor” de Vorcaro no Banco Central.
Segundo a investigação, Belline e o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, teriam recebido pagamentos para atuar como consultores informais do banco. A Controladoria-Geral da União abriu processos administrativos para apurar a conduta dos servidores.
A empresa Inspiração Projetos Educacionais foi registrada em julho de 2025 em um endereço residencial em São Paulo. O negócio foi criado para oferecer capacitação a crianças e jovens, mas teria sido usado para receber valores ligados ao grupo investigado.
Em depoimento ao BC, Belline afirmou que recebeu proposta de R$ 2 milhões de Palhares e que houve pagamentos iniciais de R$ 500 mil. Ele disse que suspendeu os repasses e que eles foram retomados posteriormente por meio da nova empresa.
A Polícia Federal aponta que Belline teria atuado para dificultar a fiscalização do Banco Central e atrasar o envio de documentos à corporação.
A empresa possui capital social de R$ 5 mil, foi registrada no mesmo endereço residencial do ex-servidor e não apresenta presença digital identificável.
As investigações também indicam que empresas ligadas a Palhares teriam sido usadas para pagamentos a servidores e movimentações financeiras relacionadas ao esquema.
