Os desdobramentos das investigações do caso Banco Master fizeram aumentar o número de pedidos de impeachment protocolados contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Só neste ano, já foram 11 novos pedidos de cassação, elevando para 97 o total em tramitação no Senado, responsável por analisar as solicitações. O ministro Alexandre de Moraes é alvo de mais da metade deles, com 50 pedidos.
Dos 11 pedidos apresentados desde janeiro, seis miram Moraes e outros seis têm como alvo o ministro Dias Toffoli. Uma das petições solicita a perda de cargo de ambos. Em comum, os documentos citam investigações envolvendo o Banco Master e mencionam relações do empresário Daniel Vorcaro com os ministros e familiares.
As petições contra Moraes apontam suposto crime de responsabilidade relacionado a contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de sua mulher com o banco. Também citam mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro no dia da prisão do empresário.
Um grupo de 33 deputados federais acionou o Senado em março pedindo a cassação de Moraes. No documento, afirmam que “os fatos revelados pela imprensa, baseados em dados extraídos pela Polícia Federal, demonstram uma teia de relações financeiras e comunicações extraoficiais que aniquilam a presunção de imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes”.
Já Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro após a Polícia Federal apontar indícios de conexões com Vorcaro. Entre os pontos citados está o pagamento de R$ 35 milhões do banco por participação em empreendimento do qual o ministro é sócio.
O aumento dos pedidos ocorre em meio a desgaste na imagem da Corte. Pesquisa Quaest divulgada em março aponta que 49% dos brasileiros dizem não confiar no STF, enquanto 43% afirmam confiar.
Apesar da pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem indicado que deve manter os pedidos sem avanço. A oposição aposta em mudança na composição da Casa após as eleições para tentar destravar as análises.
