Master comprou carteiras podres um dia antes de repassar ao BRB
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

Master comprou carteiras podres um dia antes de repassar ao BRB

Dono do Banco Master afirmou em depoimento que não desembolsou nenhum real pelos títulos revendidos ao banco estatal

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Foto: Reprodução

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Por Redação

O Banco Master comprou, por R$ 143,6 milhões, uma carteira de créditos podres da Tirreno no dia 4 de março de 2025, uma terça-feira de Carnaval. No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o ativo foi repassado ao Banco Regional de Brasília (BRB) por R$ 251,2 milhões.

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É o que aponta documento interno do BRB, obtido pelo site g1. Os créditos da Tirreno não existiam, na prática. Em depoimento à Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro, dono do Master, afirmou que não pagou nenhum real pelos títulos, mas eles foram revendidos ao banco estatal.

Ao longo do ano de 2025, o BRB tentou comprar 58% das ações do Master por R$ 2 bi, mas a operação foi barrada pelo Banco Central (BC), que liquidou o banco de Daniel Vorcaro meses depois.

As transações estão destacadas em um relatório feito pelo grupo de trabalho do BRB criado para analisar as transações com o Master. O parecer, concluído em 19 de maio de 2025, chama a atenção ao fato da transação entre o Master e a Tirreno ter sido realizada em um feriado nacional, quando não há expediente bancário.

“Essa operação, realizada em um dia não útil, suscita dúvidas quanto à regularidade do trâmite e à observância dos procedimentos operacionais usuais, o que pode demandar esclarecimentos adicionais ou documentação complementar para validação da legitimidade do processo”, diz um trecho do parecer obtido pelo site.

No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o Master revendeu a mesma carteira de crédito ao BRB por R$ 251,2 milhões.

Na data da operação com o BRB, a carteira estava avaliada pelo Master em R$ 143,8 milhões, o que indica que o ágio (valor a mais que o comprador aceita pagar esperando lucrar com os juros futuros embutidos nas parcelas) foi de R$ 107,3 milhões.

Foi apenas em uma visita técnica realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 que o BRB descobriu que boa parte das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Vorcaro e sim a Tirreno.

Em reuniões virtuais e em outra visita técnica, o Master alegava que parte dos contratos vinha de uma “associação”, mas sem identificar o nome da instituição. A identificação formal como Tirreno só veio na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix.

Documentos internos do BRB mostram que, enquanto a compra do Master era avaliada pelo BC, a equipe do banco de Vorcaro deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo banco ligado ao governo do DF.

As investigações apontam que o BRB comprou R$ 12 bi em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.

A suspeita é que Vorcaro não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025. O Master acabou comprando créditos da Tirreno para, em seguida, revender ao BRB.

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