A acusação de estupro feita pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) contra o relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), foi o tema do debate do programa Alive, apresentado por Claudio Dantas hoje (30), no YouTube. O apresentador e seus convidados questionaram os limites da imunidade parlamentar e a ausência de provas tornadas públicas pelos acusadores.
“Como é que você traz uma história dessa? Você faz uma acusação dessa gravidade e não apresenta provas. Quem nessa República pode fazer acusações dessa natureza sem apresentar provas e permanecer no mandato?”, disse Dantas. O apresentador afirmou que a repórter Carol Sponza, do próprio programa, esteve presente na coletiva de imprensa e pediu aos parlamentares a identificação das vítimas e as provas. A resposta, segundo ele, foi negativa.
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A acusação foi feita durante a sessão de sexta-feira (27), enquanto Gaspar lia o relatório final da CPI do INSS — que propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas um filho do presidente Lula. Lindbergh e Soraya acusaram o deputado de ter estuprado uma adolescente de 13 anos há oito anos, que teria engravidado e gerado uma criança. A denúncia interrompeu a sessão.
Gaspar negou o caso. Afirmou que a história envolve seu primo, Maurício César Brêda Filho, e não a ele. Apresentou exame de DNA de novembro de 2014 que teria confirmado a paternidade do primo e foi à Polícia Federal registrar notícia-crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa.
Lourilene Pereira da Silva, filha do primo de Gaspar, gravou vídeo negando qualquer envolvimento do deputado. “Ressalto que não sou fruto de estupro algum, nem conheço pessoalmente o Alfredo Gaspar. É muito triste comparar, por eles serem primos e terem o mesmo sobrenome, uma história descabida”, disse ela.
O impacto eleitoral
O analista Gabriel Jubran, do Ranking Políticos, avaliou que Gaspar saiu fortalecido do episódio. “Os danos maiores foram contidos por conta da prontidão e da disposição generosíssima dessa menina de vir à tona dizendo qual é a história verdadeira”, disse. Jubran lembrou que o deputado migrou da União Brasil para o PL e é pré-candidato ao Senado em Alagoas. “Ele é franco-favorito a ter uma das cadeiras, por conta da lógica do segundo voto no Senado.”
Sobre uma eventual cassação dos acusadores, Jubran foi cauteloso. “Em ano eleitoral, os calendários são apertados. Eu não contaria muito com essa possibilidade de cassação ainda esse ano”, afirmou.
“Não vai sobrar ninguém no Congresso”
A advogada Carol Sponza, que acompanhou a coletiva presencialmente, centrou a crítica no resultado político da manobra. “O ponto é: o que ele ganhou com isso? O relatório da CPI sequer foi aprovado no final de semana”, disse. Para ela, iniciar uma guerra de acusações pessoais no Congresso é um caminho sem volta. “Se for para atacar pedra, ele deve ter mais telhado de vidro do que o Alfredo Gaspar. Acho que não vai sobrar ninguém no Congresso.”
Sponza cobrou ação do Conselho de Ética. “Espero que não passe pano mais uma vez.”
