A Assembleia-Geral da ONU reconheceu nesta quarta-feira (25) a escravidão e o tráfico transatlântico como os crimes contra a humanidade mais graves da história.
A decisão foi aprovada por 123 países, incluindo o Brasil. Outros 52 se abstiveram e 3 votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina.
A resolução foi proposta por Gana e recomenda que os países apresentem pedidos formais de desculpas e contribuam para um fundo de reparações.
O texto contou com apoio inicial de países africanos e caribenhos. Durante a votação, o Brasil aderiu como copatrocinador da proposta.
Estimativas indicam que cerca de 15 milhões de pessoas foram retiradas da África ao longo de 400 anos e levadas principalmente às Américas por meio do tráfico transatlântico.
O Brasil foi o principal destino desse fluxo, com entrada estimada entre 4 e 5 milhões de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX.
A declaração ocorre em meio ao avanço de discussões internacionais sobre reparações históricas.
Países contrários à medida argumentaram que não há base para responsabilizar instituições atuais por fatos históricos. Também apontaram que a classificação pode gerar disputas sobre a gravidade de diferentes crimes contra a humanidade.
A votação foi realizada no Dia Internacional de Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico.
