Os grupos políticos do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União-Brasil), e do líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fecharam um “acordo” para deixar o caso Master fora da disputa eleitoral da Bahia neste ano. A informação é do jornal O Globo.
ACM Neto disputará novamente o governo estadual, enquanto Wagner tentará renovar seu mandato na Casa Alta e apoiará a reeleição do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT).
De acordo com o jornal, “aliados tanto de Jaques Wagner como de ACM Neto conversaram e concluíram que a exploração do caso Master não seria benéfica para nenhum dos lados e decidiram selar o pacto de não agressão em cima desse tema”.
Recentemente, ambos os políticos tiveram seus nomes vinculados ao caso do bando de Daniel Vorcaro. Um relatório do Coaf apontou que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora Reag, entre março de 2023 e maio de 2024.
Em nota, ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.
No caso de Jaques Wagner, a nora do senador recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master, pagos à empresa BK Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do petista. O contrato foi firmado em 2021.
Wagner declarou em nota que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
Além disso, Wagner tem relação com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master. Lima era responsável pela área de consignado do Master, com o CredCesta representando mais de 50% do faturamento da instituição.
A ligação entre Lima e Wagner começou em 2018, quando o senador comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o governo Rui Costa (PT). Lima venceu uma licitação da Ebal, criou o CredCesta, ingressou na sociedade do banco, então Banco Máxima, em 2020 e levou o CredCesta como principal ativo.
Em maio de 2024, deixou o Master. No ano seguinte, foi autorizado pelo Banco Central (BC) a adquirir o Banco Voiter, renomeado Pleno, concentrando operações de crédito consignado, incluindo o CredCesta, com aporte de cerca de R$ 160 milhões.
Mais de 250 mil contratos de consignados vinculados ao Master apresentam indícios de irregularidades, incluindo suspeitas de contratação sem autorização dos beneficiários.
