O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, é “ovo da serpente” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC).
A declaração foi feita ontem (19) durante evento que oficializou a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP).
“Vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central”, disse o petista.
“E nós não deixaremos pedra sobre pedra para a gente apurar tudo o que fizeram dando um rombo de R$ 50 bilhões nesse país. Se a gente não tiver cuidado, vão tentar dizer que fomos nós”, acrescentou.
Lula também afirmou que foi na gestão de Campos Neto que houve a autorização para a transferência do controle do Banco Máxima para Vorcaro, que criou o Banco Master: “Esse banco nasceu em 2019, quem reconheceu foi o Roberto Campos Neto, e todas as falcatruas foram feitas por ele”.
O petista se “esquece”, no entanto, de que mais da metade do lucro do Master vinha do CredCesta, do empresário Augusto Lima, ligado a lideranças do PT na Bahia.
O CredCesta marcou a estreia do Master no mercado de crédito consignado. Criado por Guga Lima em 2018, surgiu após o empresário baiano vencer uma licitação da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos).
Em 2020, Lima entrou na sociedade do Master, então chamado Banco Máxima, levando o CredCesta como um de seus principais ativos. Decreto do então governador petista Rui Costa, em 2022, impediu servidores da Bahia de migrar dívidas do CredCesta para bancos com juros menores.
Em maio de 2024, Lima deixou o Master. No ano seguinte, recebeu autorização do Banco Central (BC), então presidido por Gabriel Galípolo, indicado por Lula, para adquirir o Banco Voiter, posteriormente renomeado Banco Pleno, liquidado recentemente pelo BC.
O Pleno de Lima passou a concentrar operações de crédito consignado, incluindo o CredCesta, com aporte de cerca de R$ 160 milhões.
