“Brasil não tem capacidade de refinar petróleo”, diz economista
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Economia

“Brasil não tem capacidade de refinar petróleo”, diz economista

Hugo Queiroz critica falta de planejamento no setor de energia e aponta impacto direto no preço dos combustíveis

“Brasil não tem capacidade de refinar petróleo”, diz economista
“Brasil não tem capacidade de refinar petróleo”, diz economista

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O economista Hugo Queiroz afirmou hoje a (18), no programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, que a alta dos combustíveis reflete falhas estruturais no setor de energia no Brasil.

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Segundo ele, há ausência de planejamento e execução na política energética. Queiroz disse que o país enfrenta fragilidade estrutural e que crises externas acabam se transformando em impacto direto no mercado interno.

“É muito claro a ausência de um planejamento e de uma boa execução nesse tocante de energia”, afirmou.

De acordo com o economista, o problema central está na estrutura do setor. Ele disse que o Brasil não tem capacidade suficiente de refino e que isso limita qualquer tentativa de controlar preços.

“O grande problema é, nós não temos capacidade de refinar. Então, de nada adianta você reter petróleo dentro do Brasil”, declarou.

Queiroz também atribuiu a fragilidade ao modelo concentrado. Segundo ele, a estatal impede a expansão de investimentos privados e trava o aumento da capacidade de refino.

“Essa fragilidade, ela vem pelo monopólio da Petrobras. Não é por conta de ausência do privado”, disse.

Ele afirmou que projetos de refinarias foram interrompidos ao longo dos anos. Segundo o economista, mudanças de política de preços e interferência estatal afastaram investidores.

“A estatal voltou a pressionar o mercado privado segurando preços”, afirmou, ao citar episódios anteriores de intervenção.

Queiroz também mencionou perdas em projetos e investimentos não concluídos. Ele citou parcerias internacionais e iniciativas que não avançaram.

Críticas a medidas do governo

O economista criticou ações recentes de fiscalização e propostas de controle de preços. Segundo ele, o foco está em pontos errados da cadeia.

“Quando a gente vê essa discussão sobre desabastecimento e a turma indo atrás do distribuidor, está indo num problema errado”, afirmou.

Ele também criticou o uso de medidas coercitivas. “Não é uma política de Polícia Federal batendo com polos”, disse.

Queiroz afirmou que propostas de taxação não resolvem o problema e podem aumentar o risco jurídico.

“Essa brincadeira ridícula de taxar petróleo não vai dar resultado nenhum”, declarou.

Impacto no mercado e nos caminhoneiros

O economista afirmou que a volatilidade do preço do petróleo afeta diretamente o mercado interno, especialmente diante da falta de estrutura de proteção.

Segundo ele, o processo de importação de combustíveis expõe o país a oscilações constantes. “Você está suscetível à oscilação do petróleo”, disse.

Queiroz explicou que os postos não controlam a cadeia de distribuição. Ele afirmou que são empresários menores que compram combustível de grandes distribuidoras.

“Os postos são empresários menores”, afirmou.

O economista disse que a alta do diesel pressiona a margem operacional dos caminhoneiros e dificulta a recomposição de custos.

“Você corrói a margem operacional e não tem como repor”, declarou.

Pressão por paralisação

Durante o programa, Claudio Dantas afirmou que há pressão crescente da categoria por reajustes no frete. Ele citou dados repassados por lideranças do setor.

Segundo ele, o preço do diesel subiu de R$ 5,46 para R$ 6,20 em poucos dias, chegando a R$ 7,50 na sequência.

“Fica impossível não repassar esse valor para o frete”, disse.

Dantas afirmou que caminhoneiros defendem a atualização automática da tabela do frete conforme o preço dos combustíveis.

Falta de solução estrutural

Queiroz afirmou que o país continuará enfrentando ciclos de alta nos combustíveis enquanto não houver mudanças estruturais.

Segundo ele, a ausência de refino, armazenamento e mercado competitivo mantém o cenário instável.

“Enquanto não tivermos autossuficiência de refino, a gente vai conviver com isso”, declarou.

O economista também criticou o que chamou de narrativa política sobre o setor.

“O problema é público”, disse.

Para ele, a falta de previsibilidade afasta investimentos e mantém o setor dependente de decisões estatais.

“Enquanto isso acontecer, a gente vai ficar nesse ambiente de crise de combustível”, afirmou.

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