Uma auditoria externa contratada pela nova gestão do Banco de Brasília (BRB) apontou que o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, teve papel central nas operações investigadas que envolvem o banco e o Banco Master.
O relatório integra material enviado à Polícia Federal e analisa transações relacionadas à entrada de novos acionistas e negociações comerciais entre as duas instituições.
Segundo os auditores, Paulo Henrique Costa — afastado pela Justiça e demitido pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a operação Compliance Zero — concentrou a condução das negociações com o Banco Master e a articulação para inclusão de novos investidores.
Trechos do relatório indicam que o executivo participou diretamente de operações envolvendo acionistas individuais e fundos de investimento.
“[…] foi o próprio executivo [Paulo Henrique Costa] que coordenou com pessoas físicas – acionistas individuais que haviam exercido direito de preferência e sobras nas rodadas anteriores – uma operação triangulada e com elementos suspeitos de simulação para permitir que tais fundos fizessem a aquisição das ações.”
Operações sob investigação
A venda de ações do BRB para executivos como Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e João Carlos Mansur, ligado à Reag, também é alvo de investigação da Polícia Federal.
As transações são analisadas em pelo menos dois inquéritos.
No fim de fevereiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 376,4 milhões em participações acionárias de executivos investigados no caso. A medida busca preservar ativos que poderão ser usados para ressarcimento ao banco, caso eventuais prejuízos sejam confirmados.
Atuação na captação de acionistas
Os auditores também apontaram como suspeita a atuação direta do ex-presidente do BRB na captação de novos investidores para o banco.
Segundo o relatório, as operações analisadas estavam concentradas sob a condução de Paulo Henrique Costa.
“[…] As narrativas e documentações levantadas até o momento indicam que todas as operações sob apuração foram profundamente centralizadas e capitaneadas por ele, Paulo Henrique Costa, que, conforme já relatado, concentrou não apenas a condução das operações comerciais com o Banco Master, mas também a busca, estruturação e internalização dos novos acionistas no capital social da instituição.”
Defesa do ex-presidente
Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que ele não exerceu papel central nas operações investigadas.
Os advogados disseram que o contato do ex-presidente com acionistas fazia parte de um processo institucional mais amplo dentro do banco.
