Fundador da Reag diz que Master era “apenas um cliente”
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Fundador da Reag diz que Master era “apenas um cliente”

João Carlos Mansur evita responder sobre investigações e afirma que gestora nunca foi empresa de fachada

Fundador da Reag diz que Master era “apenas um cliente”
Fundador da Reag diz que Master era “apenas um cliente”

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Convocado pela CPI do Crime Organizado do Senado para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras investigadas no caso do Banco Master, o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos, afirmou hoje (11) que a empresa sempre operou com alto nível de governança e transparência e que acabou sendo “penalizada por ser grande e independente”.

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A oitiva durou menos de uma hora, uma vez que Mansur fez apenas uma breve fala e exerceu o direito de ficar em silêncio na maior parte dos questionamentos.

Segundo o empresário, a gestora mantinha operações auditadas e estrutura corporativa ampla.

“Tínhamos aproximadamente 800 funcionários que trabalhavam nos fundos. A empresa sempre foi auditada por consultorias internacionais. Escolhemos o nível de governança mais alto possível justamente por isso. Tínhamos operações claras e transparentes e fomos penalizados por sermos grandes e independentes”.

Mansur também afirmou que o Banco Master era apenas um cliente da gestora e negou que a empresa tenha sido utilizada para operações irregulares.

“O Banco Master era um cliente como o senhor, como meu advogado, regulado pelo Banco Central. Nunca fomos empresa de fachada”.

Durante a oitiva, o empresário evitou responder perguntas relacionadas às investigações em andamento e afirmou que responderia apenas sobre informações públicas da empresa. A estratégia foi adotada após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele não respondesse a perguntas que pudessem levar à autoincriminação.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apelou para que Mansur apresentasse sua versão dos fatos.

“Qual a imagem que você está transmitindo aos seus filhos? Se fosse eu, diria que fui fundador da Reag, que tínhamos essa operação e que nunca tivemos relação com o PCC”.

Contarato também ressaltou que a comissão deveria respeitar o direito constitucional do depoente de permanecer em silêncio.

Durante a sessão, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou a postura do empresário.

“Não vamos ficar aqui ensaiando um teatro de perguntas. O Master é um escândalo (…) e, da minha parte, encerro a minha participação”.

O senador Sergio Moro (União-PR) também questionou Mansur sobre suspeitas envolvendo fundos administrados pela gestora.

“O senhor não tem nenhuma explicação para dar sobre os fundos e lavagem de dinheiro? Saímos dessa comissão com a impressão de que a Reag era um lugar próprio para isso”.

Em resposta, o empresário afirmou que exerceria seu direito constitucional de permanecer em silêncio.

Mansur é citado em investigações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo fundos administrados pela Reag Investimentos e operações que teriam sido viabilizadas por empréstimos do Banco Master.

O empresário foi alvo de busca e apreensão em uma fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.

Apesar da estratégia de silêncio, integrantes da CPI consideraram relevante a presença do empresário para esclarecer o papel de gestores de fundos e operadores do mercado financeiro nas operações investigadas.

Para esta quarta-feira também estava previsto o depoimento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que não compareceu. O presidente da comissão afirmou que irá reforçar o convite para que o governador ou um representante do governo estadual preste esclarecimentos.

Após a sessão, o relator Alessandro Vieira afirmou que o depoimento teve alcance limitado e que o empresário respondeu apenas a questões genéricas.

“Foi um depoimento realizado de forma limitada. Ele respondeu poucas perguntas, mas não avançou nas questões mais delicadas. A gente tem uma característica de não fazer teatro. Não vamos passar o dia inteiro aqui para ganhar like”.

Vieira também cobrou rapidez do Supremo Tribunal Federal na análise de três recursos apresentados pela CPI relacionados às investigações do Banco Master.

Um deles tenta restabelecer a obrigatoriedade do depoimento do empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, após decisão do ministro André Mendonça que tornou facultativo o comparecimento. Outro questiona decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, ligada à família do ministro Dias Toffoli e citada nas investigações.

A comissão também busca acesso a documentos e provas coletados pela Polícia Federal nas apurações.

“Nós temos três recursos apresentados ao STF. Estamos cobrando urgência na resposta porque precisa ter respeito institucional. O corporativismo não pode ficar acima da Constituição”.

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