Defesa de Lulinha diz não haver motivo para prisão
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Defesa de Lulinha diz não haver motivo para prisão preventiva

Advogados afirmam que empresário está colaborando com investigação sobre fraudes ligadas ao INSS

AO VIVO: CPMI do INSS vota convocação de Lulinha, Messias e Vorcaro
Foto: Danilo M. Yoshioka/Futura Press

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A defesa do Lulinha afirmou não ver justificativa para um eventual pedido de prisão preventiva contra ele.

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O posicionamento ocorre após parlamentares da oposição solicitarem ao Supremo Tribunal Federal a adoção de medidas cautelares contra o filho do presidente Lula no âmbito da investigação sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.

Integrantes da CPMI do INSS alegam risco de fuga do país e citam indícios de possível participação de Lulinha no esquema investigado.

Segundo parlamentares, o empresário teria sido mencionado como suposto “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes.

No mês passado, a Polícia Federal informou ao STF que vai investigar menções ao nome de Lulinha em materiais coletados durante as apurações.

Em nota, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Siguimori afirmaram confiar na condução do inquérito pelo ministro André Mendonça.

“Confiamos na integridade e na forma serena e isenta com que o ministro André Mendonça vem conduzindo o inquérito. Temos certeza de que ele vai ser justo e imparcial. Não haveria motivo para justificar uma prisão ou coisa do gênero. Seria mais um excesso, entre os já denunciados, da PF.”

A defesa também declarou ter recebido com “indignação e perplexidade” informações sobre a possibilidade de medidas cautelares, incluindo a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático.

“Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra dos sigilos, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com as investigações.”

Além de parlamentares da oposição, o advogado Jeffrey Chiquini também solicitou a prisão preventiva de Lulinha ao ministro André Mendonça.

Em entrevista concedida no mês passado, Lula afirmou que cobrou explicações do filho sobre o caso.

“Eu chamei meu filho aqui [no Palácio do Planalto], e eu falo isso pra todo mundo: olhei no olho e disse [que] ‘só você sabe a verdade’. ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade.”

Relatório da Polícia Federal enviado ao STF indica que o nome de Lulinha aparece em três conjuntos de informações reunidas durante a Operação Sem Desconto.

Segundo os investigadores, a possível ligação entre Lulinha e Antônio Camilo teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger.

A apuração aponta que Roberta teria firmado contrato de consultoria com Camilo para prospectar negócios junto ao governo e recebido R$ 1,5 milhão pela intermediação.

Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal afirmou que “vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto” entre Camilo e um terceiro que “poderia atuar como sócio oculto”, apontando que “tal pessoa pode ser FÁBIO LULA DA SILVA”.

O relatório ressalta, no entanto, que as menções surgem em conversas de terceiros e ainda dependem de verificação.

“Cumpre destacar que, até o presente momento, não há indícios de que FÁBIO LULA esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos.”

Segundo investigadores, a apuração busca esclarecer o papel da empresária Roberta Luchsinger, a natureza das negociações realizadas e eventual ligação com os desvios investigados no INSS.

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