A repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói, que apresentou no último domingo (15) um enredo dedicado à trajetória do presidente Lula (PT), gerou mais preocupação política do que jurídica dentro do governo federal. As informações são do portal CNN.
Auxiliares do presidente avaliam que a maior sensibilidade foi provocada por uma ala que satirizava segmentos sociais, especialmente evangélicos — grupo com o qual o PT tenta ampliar diálogo há anos.
Segundo um interlocutor, uma liderança religiosa que havia migrado do bolsonarismo para o campo lulista telefonou para reclamar do conteúdo apresentado.
O impacto negativo também se refletiu nas redes sociais. Levantamento da agência Bites contabilizou cerca de 510 mil menções ao desfile entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira em diferentes plataformas digitais.
No X, onde houve 488 mil publicações analisadas, aproximadamente 222 mil foram classificadas como críticas ao governo, 126 mil favoráveis e o restante neutro. Entre os principais argumentos apareceram questionamentos sobre uso de dinheiro público e suspeitas de campanha eleitoral antecipada.
No campo legal, aliados do presidente consideram provável a aplicação de multa, mas afastam risco de consequências mais graves para uma eventual candidatura.
A leitura leva em conta a futura composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a partir de junho será presidido pelo ministro Nunes Marques. A expectativa é de julgamentos mais equilibrados e com placares apertados, diferentemente do período em que a corte era comandada por Alexandre de Moraes.
