INSS cobra e Master não comprova consignados
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

INSS cobra e Master não comprova consignados

Órgão notificou banco três vezes e bloqueou R$ 2 bilhões; CPMI convocou Vorcaro

INSS cobra documentos de mais de 250 mil consignados do Banco Master; repasses foram bloqueados e CPMI convocou Daniel Vorcaro
Prédio INSS. Foto: Rafa Neddermeyer Agência Brasil

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Por Redação

O Instituto Nacional do Seguro Social cobrou por três vezes, sem sucesso, do Banco Master os documentos que comprovem “a existência jurídica e a validade do consentimento” de aposentados e pensionistas em mais de 250 mil empréstimos consignados.

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Diante da ausência de comprovação, o INSS bloqueou em 26 de novembro de 2025 cerca de R$ 2 bilhões e interrompeu os repasses ao banco até a conclusão da investigação administrativa.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS convocou o banqueiro Daniel Vorcaro para depor nesta quinta-feira (4). Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o foco do depoimento serão exclusivamente os contratos de crédito consignado.

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que “o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

Notificações e prazos
O INSS informou que notificou o banco “em três oportunidades”, a última após contato com o liquidante em 23 de janeiro. A liquidação é conduzida por Eduardo Felix Bianchini, que será substituído interinamente por Sebastião Márcio Monteiro até o dia 15, em razão de licença médica.

Segundo o órgão, foi concedido novo prazo para apresentação integral da documentação. “No momento, o INSS aguarda manifestação e envio da documentação pelo banco. A expectativa é de que a situação seja reavaliada em até 15 dias.”

Processo administrativo
Documentos da investigação interna apontam que o Banco Master promoveu “expansão agressiva” da carteira de crédito, com “averbações desprovidas do devido lastro documental” e sem observância dos requisitos de segurança. O despacho registra que a instituição “falhou em apresentar a documentação comprobatória requisitada”.

Outro trecho afirma que “a omissão na apresentação de mais de 250 mil contratos constitui uma falha grave e insanável”, levantando dúvidas sobre a existência jurídica e a validade do consentimento dos beneficiários. A análise amostral também identificou contratos genéricos, sem informações essenciais como limite de crédito, forma de pagamento, taxa de juros e número de parcelas.

O despacho é de 19 de novembro de 2025, um dia após o Banco Central do Brasil decretar a liquidação do Banco Master.

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