Apesar do discurso do governo em defesa do aumento da tributação sobre os mais ricos, os impostos e contribuições incidentes sobre renda e patrimônio reduziram participação no total arrecadado pela União nos três primeiros anos da gestão do presidente Lula (PT).
Dados da Receita Federal indicam que esses tributos representavam 42% da arrecadação em 2022 e passaram a responder por 40% ao fim de 2025. As informações são do jornal O Globo.
No mesmo período, os tributos cobrados sobre bens e serviços ampliaram presença no bolo arrecadatório. A participação da chamada tributação indireta avançou de 24,8% para 26,8% do total, indicando crescimento do peso dos impostos sobre o consumo.
As receitas vinculadas à movimentação financeira também registraram aumento, ainda que mais moderado. A fatia desse grupo subiu 0,3 ponto percentual e alcançou 3,1% da arrecadação. Em sentido oposto, os tributos incidentes sobre a folha de salários perderam espaço relativo e fecharam 2025 com participação de 28,4%, queda de 0,5 ponto percentual.
Apesar da mudança na composição, todos os grupos de tributos apresentaram crescimento real no período, com arrecadação acima da inflação. O resultado reflete a estratégia fiscal adotada pelo governo, concentrada na ampliação de receitas.
Para elevar a arrecadação, o Executivo adotou uma série de medidas nos últimos anos. Entre elas estão a criação de cobranças sobre fundos exclusivos e empresas sediadas no exterior, a limitação do uso do Juro sobre Capital Próprio (JCP) e mudanças no tratamento tributário de benefícios fiscais concedidos por estados.
Outras iniciativas incluíram o endurecimento das regras de compensação tributária, o aumento do IOF para segmentos do setor financeiro e a retomada da tributação sobre combustíveis, apostas e produtos importados.
Além disso, fatores técnicos influenciaram a evolução da arrecadação no período, como o fim de desonerações aplicadas em 2022 e a redução do impacto de decisões judiciais que afetaram a base de cálculo de tributos sobre o consumo.
Para os próximos anos, o governo aposta na implementação da nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para entrar em vigor em 2027, como parte da reforma tributária do consumo, com o objetivo de reorganizar a estrutura de arrecadação federal.
