Ex-presidente do BRB diz que falava com Ibaneis sobre Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Ex-presidente do BRB diz que falava com Ibaneis sobre tratativas do Master

Paulo Henrique Costa afirma à PF que comunicação ocorreu porque GDF é acionista controlador e nega interferência política na operação com o Master

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Foto: Agência Brasil

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Por Redação

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que mantinha diálogo com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), porque o GDF é o acionista controlador da instituição. Segundo Costa, as tratativas relacionadas ao Banco Master foram conduzidas de forma técnica.

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A declaração foi prestada em oitiva realizada em 30 de dezembro de 2025. A delegada Janaina Palazzo questionou o ex-dirigente três vezes sobre eventuais contatos com o governador no contexto das investigações envolvendo negócios do BRB com o Banco Master.

Costa disse que “costumeiramente prestava contas” ao governador. “O governador é acionista, eu fazia pontos de controle com ele, reportava as iniciativas que a gente tinha do banco. É um papel meu de prestação de contas. Até porque eu não levaria adiante uma tentativa de aquisição de banco sem que isso fosse comunicado ao acionista controlador”, declarou.

Questionado sobre a frequência dos contatos, afirmou que não havia periodicidade fixa. Segundo ele, os encontros ocorriam em “pontos de controle” nos quais apresentava uma lista de temas, como aprovações no conselho, decisões judiciais favoráveis e posições do Banco Central.

A delegada perguntou se Costa tratou com Ibaneis sobre a aquisição de ativos e sobre “toda a situação das fraudes”, mencionando as carteiras de crédito da Tirreno repassadas pelo Master ao BRB, apontadas pela investigação como inexistentes em uma suposta fraude de R$ 12 bilhões.

Costa respondeu que há distinção entre processos de fusões e aquisições e a compra de carteiras. Disse que a operação de aquisição do Master seguiu dinâmica própria, com diligências que, segundo ele, foram satisfatórias. “Resultaram na exclusão de um conjunto de ativos e passivos, no desenho de uma estrutura de governança compatível, de um preço compatível”, afirmou.

Sobre as carteiras, declarou que “a compra de carteira, de novo, hoje é tratado aqui como se fosse uma fraude absoluta e definitiva” e acrescentou que o BRB substituiu R$ 10,2 bilhões dos R$ 12 bilhões envolvidos.

Procurado, o governador Ibaneis Rocha afirmou que as declarações do ex-presidente do BRB refletem os fatos. “Foi exatamente isso que aconteceu. Eu não sabia nada de compra de carteira. Sempre procurei nomear pessoas técnicas e confiei no Paulo Henrique, que defendeu a operação”, disse.

Durante a oitiva, Costa também afirmou que não recebeu contatos de outros políticos e que não sofreu pressão direta ou indireta. Relatou que, no início das negociações, havia avaliação positiva sobre a complementariedade entre BRB e Master. Segundo ele, após a identificação de problemas nas carteiras, “a negociação ficou bem mais dura”.

“Nós iniciamos negociação para que o próprio Daniel [Vorcaro] deixasse de ser controlador do banco e que, no final, ele não fosse nem sócio”, disse.

Em outro trecho do depoimento, Costa reiterou que “toda decisão foi técnica”. Afirmou que aquela foi a terceira tentativa de aquisição de uma instituição financeira pelo BRB e que o processo formal teve início após provocação do Master, em 3 de janeiro.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à PF que falou com Ibaneis Rocha sobre a operação. O governador, por sua vez, disse que encontrou Vorcaro em um almoço, mas negou ter tratado de compra de banco ou de ações. “Nunca tratei de banco com ele. As operações todas foram feitas pelo Paulo”, declarou.

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