STF cobra explicações de SC sobre lei que veta cotas raciais
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

STF cobra explicações de SC sobre lei que veta cotas raciais

Gilmar Mendes dá 48 horas para governo estadual e Assembleia se manifestarem

Gilmar Mendes criticou Romeu Zema no STF e citou a Bíblia ao responder ataques de governadores ao tribunal.
Foto: STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro do STF Gilmar Mendes determinou que o governo de Santa Catarina explique, em até 48 horas, a lei estadual que proíbe a adoção de cotas raciais para negros e indígenas em universidades estaduais.

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A medida ocorre no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.925, apresentada pelo PSOL, pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela entidade Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).

Os autores pedem a suspensão imediata da Lei estadual nº 19.722/2026, sancionada em 21 de janeiro, que veda critérios de reserva de vagas em universidades estaduais e em instituições financiadas pelo poder público catarinense.

Antes de analisar o pedido de liminar, Gilmar Mendes determinou, em despacho publicado na segunda-feira (26), que o PSOL regularize sua representação processual no prazo de 48 horas. Segundo o STF, a procuração anexada à ação foi assinada apenas pela UNE, o que exige correção formal.

O ministro também solicitou informações urgentes à Assembleia Legislativa de Santa Catarina e ao governador Jorginho Mello (PL), igualmente no prazo de 48 horas.

A decisão considera a existência de processos seletivos em andamento que podem ser afetados pela nova legislação, como vestibulares e concursos universitários.

Gilmar Mendes ainda intimou a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se manifestem sobre o pedido de medida cautelar.

O governo de Santa Catarina afirma que a lei busca garantir uma concorrência “mais justa” no acesso ao ensino superior. Com a nova norma, seguem permitidas apenas políticas de reserva de vagas baseadas em critérios socioeconômicos, além daquelas destinadas a pessoas com deficiência e a estudantes egressos da rede pública estadual.

Outras ações contra a lei também tramitam no STF. Na segunda-feira (26), o PT protocolou uma ADI em conjunto com a Coalizão Negra por Direitos, pedindo a suspensão imediata da norma. O Conselho Federal da OAB também acionou o Supremo, alegando invasão da competência da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação.

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