Durante participação no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, nesta sexta-feira (23), a advogada e comentarista Fabiana Barroso afirmou que a reunião omitida da agenda oficial entre o presidente Lula, o então indicado ao Banco Central Gabriel Galípolo e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, “não foi uma reunião inocente”.
Ao comentar o encontro ocorrido em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, Fabiana disse que o episódio se insere em um conjunto mais amplo de relações políticas e institucionais envolvendo o PT, lideranças da Bahia e a crise do Banco Master.
Segundo ela, a articulação começa no núcleo político do governo. Fabiana citou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmando que ele indicou Guido Mantega, que posteriormente passou a atuar como consultor do Banco Master. “Ele indicou o Guido Mantega, que indicou outros assessores jurídicos para o Banco Master”, disse.
A comentarista também mencionou a atuação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e afirmou que a suspensão da OAB não afasta questionamentos sobre a atuação de escritórios ligados à sua família. Segundo Fabiana, o problema não é formal, mas estrutural. Disse que não é possível tratar como imparcial a atuação de autoridades que mantêm vínculos indiretos com interesses privados.
Ao tratar do encontro no Planalto, Fabiana destacou que, à época, Galípolo ainda não havia assumido o comando do Banco Central. “Ele era apenas um indicado. A posse foi só no dia 1º”, afirmou. Para ela, o momento da reunião levanta questionamentos sobre decisões posteriores da autoridade monetária.
Fabiana questionou o tempo levado pelo Banco Central para decretar a liquidação do Banco Master. Disse que, em sua avaliação, houve demora. Também levantou dúvidas sobre o fato de o Will Bank, ligado ao grupo, não ter sido liquidado simultaneamente. “Tudo isso é um grande absurdo”, afirmou.
Na avaliação apresentada no programa, o caso do Banco Master tende a se conectar à CPI mista que apura fraudes no INSS. Fabiana afirmou que recursos retirados de aposentados e pensionistas teriam sido direcionados a fundos ligados ao banco. Disse que a junção dos dois casos deve trazer novos desdobramentos.
Ao mencionar os impactos financeiros, ela afirmou que o prejuízo estimado ao Fundo Garantidor de Créditos chega a R$ 50 bilhões. “Eu vou repetir: bilhões de reais”, disse. Segundo Fabiana, o fundo possui cerca de R$ 130 bilhões, o que acende alerta para o sistema financeiro.
Ela afirmou que, caso outras instituições menores e gestoras também entrem em liquidação, o impacto pode crescer. Disse ainda que, mesmo para grandes bancos, o valor é relevante. “R$ 50 bilhões corresponde a cerca de seis meses de lucro”, afirmou, citando o Itaú como referência.
Fabiana também mencionou nomes do Judiciário associados a episódios anteriores envolvendo grandes grupos econômicos. Citou o caso do ministro Dias Toffoli e o resort Tayayá, além de decisões passadas relacionadas à J&F. Disse que os fatos levantam questionamentos sobre imparcialidade.
“A imparcialidade dos juízes não está valendo no Brasil”, afirmou. Segundo ela, o cenário descrito indica tráfico de influência, lobby e pagamentos elevados a figuras públicas. Citou valores mensais pagos a consultores e ex-autoridades, incluindo Guido Mantega.
Para Fabiana, o conjunto de reuniões fora da agenda, pagamentos e relações políticas indica conluio. “Essas reuniões mostram sim que é um conluio”, disse. Afirmou ainda que o presidente Lula não ficará fora do caso, ao citar lideranças do PT baiano, como Jaques Wagner, Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues.
Ao final, Fabiana afirmou que o caso revela mais sobre o PT do que sobre adversários políticos. Disse que há tentativas de envolver outros nomes, mas que, em sua avaliação, a explicação é objetiva.
