Quem mandava no consignado do Master era o sócio petista
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Quem mandava no consignado do Master era o sócio petista

PF não questionou Vorcaro sobre quem levou ao Master as empresas que geraram carteiras sem lastro negociadas com BRB

Sócio petista de Vorcaro ficou bilionário com ajuda de Rui Costa e Jaques Wagner
Foto: Paulo Mocofaya/Agência ALBA

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Por Claudio Dantas

Cada vez fica mais claro por que ninguém do PT assinou a CPMI do Master. Em seu depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi questionado diversas vezes — e de forma repetida — sobre detalhes técnicos envolvendo as negociações com as carteiras de consignados que se tornaram um dos grandes negócios do banco.

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Embora tivesse conhecimento das operações em nível macro e a decisão final sobre os negócios fosse sua, Vorcaro demonstrou não conhecer profundamente a operação. A área de crédito consignado estava nas mãos de Augusto Lima, empresário ligado ao núcleo do PT na Bahia, desde 2019. “Ele que tocava essa área do consignado”, disse o banqueiro.

“Foi criada uma equipe, na época trazida pelo meu ex-sócio, que era o Augusto Lima, e ele formou uma equipe lá dentro do banco para poder fazer essas originações desses créditos. Ao longo do tempo, a gente foi desenvolvendo esse produto, foi crescendo e a equipe foi aumentando, o banco foi aumentando também de tamanho, de patamar e até de volume de originação”, disse.

Vorcaro alegou que, como presidente do banco, “não entrava nos detalhes, seja da originação, seja de qualquer questão operacional do consignado”. “A gente realizou ao longo desse período, desses últimos anos, várias sessões para diversos investidores das carteiras que a gente originava, principalmente com o produto CredCesta, que era o principal”, afirmou.

Como este site já mostrou, o Credcesta surgiu na privatização da estatal de supermercados da Bahia, na gestão Rui Costa, em 2018. Cresceu rapidamente, a ponto de se tornar metade do lucro do Master, entrando em mais de 160 municípios, em 20 estados diferentes.

Em 2024, Lima negociou sua saída do banco de Vorcaro e, no ano passado, foi autorizado pelo BC de Gabriel Galípolo a comprar o banco Voiter, rebatizado de Pleno, levando consigo a carteira de consignado do CredCesta. A operação foi toda validada pelo órgão regulador, que já questionava a gestão do Master.

Apesar da explicação superficial de Vorcaro, os delegados que conduziram a oitiva não se interessaram em aprofundar a atuação do ex-sócio petista, mesmo diante de informações fundamentais para a investigação. Pois, além de comandar o consignado do Master, Lima foi quem levou para o banco as empresas Tirreno e Cartos, que geraram as carteiras de consignado sem lastro negociadas com o BRB.

O banqueiro chegou a citar lateralmente que Henrique Peretto, responsável pelas duas empresas e que será ouvido nesta semana no Supremo. “Tive pouquíssimas vezes com ele. Tive mais recentemente nesse momento de desfazimento dessa operação”, afirmou.

Questionado sobre quantas vezes conversou com Peretto ao longo da negociação das carteiras, Vorcaro disse que “talvez nenhuma em 2024”, época da compra, e “umas seis vezes” em 2025, para desfazer o negócio após notificação do BC. “Quando houve o problema, aí eu entrei. Como eu disse, esse negócio do consignado andava sozinho, não dependia da minha atuação. Eu só entreva para fazer grandes negociações, seja de aquisição, seja de venda. Então, eu não tinha contato com a área.”

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