O presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, deixou o Brasil no dia 15 de janeiro, em meio à investigação da Polícia Federal que apura aportes de R$ 1 bilhão do fundo no Banco Master. A operação foi deflagrada nesta sexta-feira (23) e cumpriu mandados de busca e apreensão.
A apuração investiga suspeita de gestão temerária na autorização dos investimentos. Segundo informações obtidas pelo Estadão, Deivis já tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo da operação e vinha evitando permanecer em sua residência, no Rio de Janeiro.
Agentes da Polícia Federal estiveram no endereço do dirigente nesta sexta-feira, mas ele não foi localizado. Deivis embarcou para os Estados Unidos na semana passada. O local exato onde se encontra não foi informado.
Em nota, o RioPrevidência afirmou que Deivis Marcon Antunes “encontra-se oficialmente em período de férias, previamente programadas desde novembro de 2025, nos termos das normas internas vigentes”.
A operação da PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, incluindo a sede do RioPrevidência. Além de Deivis, também são investigados o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que já haviam deixado seus cargos após o avanço das suspeitas relacionadas ao caso Master.
A Polícia Federal apura se as aplicações foram aprovadas de forma irregular e incompatível com a finalidade do fundo previdenciário, expondo servidores públicos a risco elevado. A investigação envolve suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização, associação criminosa e corrupção passiva.
Batizada de Operação Barco de Papel, a ação não tramita no Supremo Tribunal Federal. A investigação foi autorizada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, em primeira instância.
O RioPrevidência informou ainda que tentava reverter os investimentos feitos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master por precatórios federais. Segundo o fundo, os papéis foram adquiridos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
Em nota oficial, o órgão afirmou que, na ausência do diretor-presidente, a presidência da autarquia é exercida pelo diretor de Administração e Finanças, conforme previsto no regimento interno.
