Amorim rejeita Conselho da Paz de Trump
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Amorim rejeita Conselho da Paz de Trump

Assessor de Lula afirma que proposta é confusa, unilateral e pode esvaziar papel da ONU

O diplomata classificou como “ato de guerra” a recente decisão dos EUA de restringir o espaço aéreo da Venezuela

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Por Redação

O assessor especial do Lula para relações exteriores, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não deve aderir ao Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, o modelo apresentado levanta dúvidas sobre seus objetivos e representa uma iniciativa unilateral fora do sistema das Nações Unidas.

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Amorim declarou que a proposta carece de clareza e mistura conceitos distintos, o que dificulta a compreensão de sua finalidade. Para o assessor, qualquer iniciativa dessa natureza deveria resultar de resolução aprovada no âmbito da ONU.

“Seria preciso saber a opinião dos próprios palestinos e de outros países árabes. A própria carta (do conselho proposto por Trump) é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo. Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.

O Conselho da Paz foi apresentado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, com a adesão de alguns líderes, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei. Amorim destacou que o estatuto do conselho não menciona explicitamente a Faixa de Gaza, o que permitiria atuação em diferentes conflitos internacionais.

“Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente. Até agora, os países europeus não aceitaram”, disse.

Outro ponto citado foi a ausência de espaço para negociação do texto. Segundo Amorim, Trump teria indicado que o documento não admite emendas, funcionando como um “contrato de adesão”.

“Se fosse possível separar as duas coisas, aí vamos ver. Mesmo assim, não é automático. É preciso conversar, ver se isso interessa aos próprios palestinos e a outros países”, completou.

Amorim afirmou ainda que não vê o convite como uma armadilha direcionada ao Brasil, já que a proposta também foi enviada a países como França e Itália.

“Obviamente, Trump tem uma visão de relações internacionais em que ele é sempre a figura central. Mas não me cabe fazer um julgamento sobre isso”, declarou.

Até o momento, o Palácio do Planalto não tomou decisão final sobre o tema. Integrantes do governo avaliam que a proposta pode enfraquecer o papel da ONU e defendem que eventuais reformas no organismo ocorram por meio de negociações multilaterais.

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