O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o convite feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para integrar o Conselho de Paz criado para supervisionar o processo de paz na Faixa de Gaza.
A decisão foi comunicada por Trump em carta divulgada na rede Truth Social. “Que esta carta sirva para comunicar que o Conselho de Paz está retirando o convite feito ao senhor para que o Canadá se junte, em qualquer momento, ao que será o mais prestigioso Conselho de Líderes já reunido”, escreveu. “Agradeço sua atenção a este assunto”, acrescentou.
O gesto ocorreu após declarações de Carney no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Durante discurso, o primeiro-ministro afirmou que “apoia firmemente” a Groenlândia e a Dinamarca, em meio à pressão de Trump para que o território autônomo seja anexado pelos Estados Unidos.
Carney declarou que o Canadá busca ser “íntegro e pragmático”, com compromisso com “a soberania, a integridade territorial, a proibição do uso da força, exceto quando compatível com a Carta da ONU, e o respeito pelos direitos humanos”. Também disse que o país “se opõe veementemente” às tarifas anunciadas por Trump para pressionar a Dinamarca e defendeu a via das negociações.
O premiê canadense ainda alertou para a atuação da Rússia no Ártico, afirmando que existe uma “clara ameaça”, embora, segundo ele, ainda não materializada de forma concreta.
Trump reagiu às declarações afirmando que o Canadá “existe graças aos Estados Unidos”. Em Davos, o presidente americano disse que Carney deveria ser grato pela postura anterior de Washington. “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, afirmou.
O Conselho de Paz para a Faixa de Gaza foi formalizado por Trump na mesma quinta-feira, com a assinatura do ato de criação durante o Fórum Econômico Mundial. O evento contou com a presença de líderes internacionais, incluindo o presidente da Argentina, Javier Milei. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora convidado, não participou nem respondeu ao convite.
