Cade recomenda condenação de 10 empreiteiras por cartel em obras da Petrobras - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Cade recomenda condenação de 10 empreiteiras por cartel em obras da Petrobras

Processo aberto em 2016 aponta conluio em licitações no Rio e no Espírito Santo e segue para julgamento

Cade propõe condenação de empreiteiras por cartel em contratos da Petrobras após investigação iniciada na Lava Jato.
Cade propõe condenação de empreiteiras por cartel em contratos da Petrobras após investigação iniciada na Lava Jato

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Por Redação

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) encaminhou ao seu tribunal administrativo a recomendação de condenação de dez grandes empreiteiras por prática de cartel em contratos de obras da Petrobras.

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A proposta foi enviada pelo superintendente-geral do órgão, Alexandre Barreto de Souza, após acolhimento de parecer da área técnica. O processo tramita desde 2016 e teve origem em um acordo de leniência firmado pela Carioca Engenharia.

A investigação aponta a existência de um esquema estruturado para manipular licitações da estatal no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Segundo os autos, empresas que, formalmente, disputavam as concorrências combinavam preços, dividiam mercados por meio de consórcios e apresentavam propostas de cobertura para simular competição.

Os contratos investigados envolvem obras consideradas estratégicas, como a sede da Petrobras em Vitória (ES), o novo Cenpes (Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello) e o CIPD (Centro Integrado de Processamento de Dados da Tecnologia da Informação), ambos localizados na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.

No relatório que embasa a recomendação, o Cade cita avaliação da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo a qual cartéis elevam preços entre 10% e 20% em relação a ambientes competitivos. A estimativa indica possível sobrepreço em contratos bilionários da Petrobras.

Estão na lista de empresas que podem ser punidas: Andrade Gutierrez; Construbase Engenharia; Construcap CCPS Engenharia e Comércio; Camargo Corrêa; Coesa (antiga OAS); HTB (antiga Hochtief do Brasil); Mendes Júnior; Racional Engenharia; Schahin Engenharia (atual Base Engenharia); e WTorre Engenharia e Construção.

Andrade Gutierrez e Coesa haviam sido retiradas do processo em fases anteriores após firmarem Termos de Compromisso de Cessação (TCC). Em 2023, o Cade concluiu que os acordos foram descumpridos e determinou a reinclusão das empresas no caso.

Outra construtora citada nas apurações, a Queiroz Galvão, hoje chamada Álya Construtora, firmou acordo com o Cade em março do ano passado e foi excluída deste processo específico.

A decisão final caberá agora ao tribunal do Cade, que avaliará a recomendação e definirá eventuais multas e sanções. O caso integra o conjunto de investigações abertas a partir da Operação Lava Jato, que teve impacto direto sobre grandes grupos do setor de construção pesada.

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