O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu nesta terça-feira (20) que a população da ilha esteja pronta para uma eventual ação militar estrangeira, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a incorporação do território ao país.
Em entrevista coletiva em Nuuk, Nielsen afirmou que um conflito é improvável, mas não pode ser descartado, segundo a agência de notícias Bloomberg. O governo local está distribuindo materiais de orientação à população, incluindo recomendações de estocagem de alimentos e instruções sobre como agir em caso de invasão.
A retórica de Trump tem causado preocupação internacional. O presidente americano afirmou que “não há volta atrás” em seu objetivo de controlar a Groenlândia e sugeriu, em entrevistas e publicações nas redes sociais, que a ilha é estratégica para a segurança nacional dos EUA. Ele também alertou que, caso os Estados Unidos não atuem, Rússia ou China poderiam assumir o controle da região.
Apesar das declarações do republicano, autoridades do Pentágono confirmaram que não existem planos imediatos de invasão. A situação, porém, levou aliados europeus a reforçarem a presença militar na ilha. Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia já enviaram tropas e planejam exercícios conjuntos na região.
A Groenlândia abriga a Base Aérea de Thule, ponto estratégico para monitoramento antimísseis e vigilância do espaço aéreo, além de possuir reservas minerais essenciais para tecnologia e defesa, cuja exploração está atualmente concentrada na China.
Nielsen reforçou que a soberania da ilha não está em discussão.
“Há exercícios militares e uma presença crescente de aliados, mas falar em posse da Groenlândia é inaceitável”, afirmou o premiê, destacando a importância de preparação sem alarmismo.
