Europeus defendem soberania da Groenlândia e alertam contra “espiral descendente”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, usaram seus discursos nesta tarde (20), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para responder às declarações de Donald Trump sobre “conquistar” a Groenlândia.
Nos últimos meses, o presidente dos EUA tem defendido com mais intensidade que a ilha autônoma da Dinamarca seja “conquistada” pelos EUA. Para Trump, a Groenlândia é essencial para a defesa nacional e “vital” para o “Domo de Ouro”, escudo antimísseis que deseja construir para proteger o país.
Em reação às declarações do republicano, países europeus começaram a enviar, na semana passada, tropas para a Groenlândia. Como resposta, Trump anunciou, no sábado (17), que pretende aplicar tarifa de 10% a oito países europeus que se oponham aos planos do país.
Na manhã de hoje, antes dos discursos no Fórum Econômico, o presidente norte-americano disse que, após conversa com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordou em realizar reunião com líderes europeus para discutir a situação da Groenlândia.
Em seu discurso em Davos, Von der Leyen afirmou que a ameaça de impor tarifas para coagir países europeus “é um erro”. Ela também defendeu a soberania da ilha autônoma da Dinamarca e afirmou que a Europa deve “buscar mais independência” em relação aos EUA.
“Mergulhar em uma espiral descendente só contribuiria para as adversidades que ambos estamos comprometidos em manter fora do cenário estratégico”, disse a presidente da Comissão Europeia.
Já Macron, sem citar Trump diretamente, afirmou que “não é momento para imperialismos e colonialismos”. Acrescentou ainda que a UE não deve se curvar à “lei do mais forte” e que, embora seja “estarrecedor”, o bloco considera usar seu “instrumento anticoerção” contra os EUA.
“Preferimos o respeito aos valentões. Preferimos a ciência às teorias da conspiração e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, declarou o presidente francês, que ainda defendeu a entrada de mais investimentos na Europa provenientes da China.
Macron ressaltou também que a Europa seguirá “ao lado dos nossos amigos da Dinamarca, quando eles estão sendo pressionados. É o que se espera de um aliado”.
O “instrumento anticoerção” europeu, ainda nunca usado, autoriza a imposição de restrições comerciais, como tarifas mais altas, licenças de importação ou exportação, limitações ao comércio de serviços ou restrições ao acesso a investimentos estrangeiros diretos ou licitações públicas.
A UE poderá não apenas aplicar tarifas adicionais às importações dos EUA, mas também impedir que empresas americanas adquiram ações de empresas de seus 27 Estados-Membros, recebam financiamento público ou privado, ou participem de licitações para contratos públicos.
A “bazuca comercial” ainda autoriza a UE a exigir “reparação” financeira do país que exercer coerção contra o bloco.
