Os ex-donos do Banco Voiter ingressaram na Justiça de São Paulo para cobrar R$ 247,3 milhões de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de seus ex-sócios Augusto Lima e Maurício Quadrado. A cobrança ocorre após o descumprimento de acordos firmados no âmbito da venda do Voiter ao Master.
A ação foi apresentada pela família Rezende Barbosa, antiga controladora do Voiter, que acusa os executivos de inadimplência em contratos ligados à emissão de debêntures usadas para capitalizar o Master. O banco foi vendido em 2024 e acabou liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.
O processo teve início no começo de 2025, quando os debenturistas pediram o bloqueio de bens no valor original da dívida, estimada em R$ 470,5 milhões. À época, também destituíram a Trustee Distribuidora da função de agente fiduciário, apontando omissão no acompanhamento das garantias.
Em abril, a 22ª Vara Cível do Foro Central do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de dinheiro, imóveis e ações dos devedores. No mês seguinte, as partes firmaram um acordo. Segundo os autores, o Master quitou apenas a primeira parcela e os honorários, deixando de pagar a segunda, com vencimento em 10 de setembro.
Um novo acordo, prevendo o pagamento da dívida em 15 parcelas, foi homologado em 10 de novembro, uma semana antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master. Dias depois, Vorcaro e Augusto Lima chegaram a ser presos na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a venda de carteiras de crédito supostamente falsas ao Banco de Brasília.
Com a liquidação do banco, as parcelas voltaram a vencer sem pagamento. Em 4 de dezembro de 2025, a família Rezende Barbosa apresentou novo pedido judicial para a quitação integral do débito remanescente, já atualizado para R$ 247,3 milhões, após abatimento dos valores pagos.
Como garantia adicional, os devedores haviam alienado cédulas de crédito bancário ligadas a carteiras de crédito consignado, estimadas em R$ 25,9 milhões em setembro de 2025, mantidas em conta vinculada no próprio Banco Master. Os autores pedem a transferência imediata desses recursos, além da penhora de imóveis, ações, veículos e aeronaves dos executivos.
Também foi solicitada a aplicação de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais. Até o momento, o Tribunal de Justiça de São Paulo não analisou os novos pedidos.
Entenda o caso
– A Banvox Holding Financeira emitiu 400 debêntures, no valor total de R$ 400 milhões;
– Os recursos foram destinados à capitalização do Banco Master;
– A Trustee Distribuidora atuava como agente fiduciário;
– A fiança foi assinada por Vorcaro, Quadrado e Augusto Lima;
– As debêntures passaram a ser de responsabilidade da DV Holding Financeira.
